“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


17 de set de 2012

Acontece com você também?




A vida pulsa e expulsa!
Temporariamente estou morando em frente a um supermercado, e da minha janela observo a entrada e saída do estacionamento, além das pessoas da vizinhança que chegam a pé para a compra rápida.
Aproveitando a noite quente, atípica pra esta época, me demorei debruçada no parapeito observando o movimento daqueles que passam pelo mercado antes de se dirigirem às suas casas. Então me ocorreu escrever sobre o que senti vendo um final de dia quase frenético, um entra-e-sai de gente apressada, carros inquietos esperando a vez para pegar seu rumo...
Olhando para mais adiante, desfocando a claridade das luzes, prestei atenção ao som do trânsito. Morar no centro tem todas as vantagens, mas convivo com uma janela antirruídos para conseguir dormir. A vizinhança é minha conhecida há mais de três décadas, os sons são familiares, mas tudo mudou! A quantidade e volume do barulho, a vida mecânica das pessoas que trafegam pelo tempo de cabeça baixa e pensamento distante. Quase não existe gentileza porque ninguém olha pra ninguém - exceto para mostrar a irritação pela espera, o contragosto pela demora, a pressa...
As crianças estão presas em casa, talvez grudadas numa tela qualquer - não as ouço, não as vejo!
Em contrapartida, esta é uma região de pessoas na "melhor idade", no prédio são maioria e se demoram no 'bom dia', gostam de "um dedinho de prosa", passeiam pelas calçadas em duplas, conversando provavelmente sobre os mesmos assuntos. Talvez pouco vejam ao redor de si, mas saem de suas "cascas", interagem, se comunicam. São do tempo em que a comunicação era oral, digital era a marca no documento. Fazem a diferença neste cenário [desolador] que aprecio no dia-a-dia, enfeitam de boas maneiras a escadaria que nos aproxima. E sorriem! Imagino que nos dias em que passo apressada e respondo rapidamente ao cumprimento, suas cabeças balancem, conjeturando onde vou com tanta pressa. Também eu sou presa dessa pressa, por isso consigo parar para avaliar aquilo que conheço, que vivo, que observo e ouço todos os dias no trabalho - e me compadeço de todos nós...
Em que momento sentamos num banco, olhamos aos redor, ouvimos os pássaros? Qual foi a última vez que diante do semáforo alguma coisa foi percebida além das três cores sucessivas e automáticas? Quando a gente para pra tomar um chá, "gasta" uma tarde de sábado pra reunir amigos? Será que a gente sabe quantos meses tem o bebê que nasceu ao lado, na casa da frente? Quantas vezes nesta quinzena a gente ligou "só" pra bater um papo, ou sentou pra almoçar/jantar sem olhar no relógio? Quantos livros foram lidos neste ano? A quantos filmes assistimos?
A vida mudou ou mudou a gente, que não folheia álbum de fotos porque elas estão armazenadas numa pasta de computador? Raramente trocamos o carro pela caminhada, pouco tempo dedicamos para nossas crianças. Reclamamos de quase tudo, temos uma urgência indesculpável, vivemos mal, sonhamos pouco, agradecemos menos ainda...
A vida pulsa, nos mantém ativos, embora acelerados. Se não ficarmos atentos, a vida contemporânea expulsa da vida da gente os prazeres mais prosaicos, os momentos amenos, as pessoas, a convivência, as risadas soltas, o presente!


Eu quero outra vida - pra mim, pra meus netos, pra toda gente! Quero tempo, e qualidade!

18 comentários:

Toninhobira disse...

Excelente analise do cotidiano com um olhar clinico no comportamento humano(?).
Sim Denise acontece com todos nós, creio. E urge parar e repensar que vida temos e queremos.
Uma bela semana de paz e luz.
BJo.

Denise disse...

Tenho sentido essa necessidade ganhando cada vez mais espaço nos meus dias, Toninho...não adianta discurso bonito, é preciso incorporar na vida hábitos novos, que subtraiam aquilo que não é bom, que nos faz mal ou nos faz piores...as crianças crescem, se não olharmos pra elas, as perdemos...as estações do ano se sucedem e a gente não vê a árvore perder as folhas, mas reclama da "sujeira" das folhas...se a primavera já mudou o cenário, por que não aproveitarmos pra colorir, perfumar e enfeitar os momentos do dia em que nos permitirmos uma paradinha pra enxergar o mundo ao redor...não é mesmo??

Um dia abençoado pra vc, pra mim, e quem passar por aqui!
Bjos, meu amigo!

R. R. Barcellos disse...

Ah, Denise... parece que você adivinha meus pensamentos - e traça o retrato no dia-a-dia do mesmo demônio que se diverte roubando cada segundo de nossas vidas. Daqui a pouco, no Sete Ramos...

Beijos.

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Denise,achei extremamente interessante sua crônica sobre o cotidiano.Nós,"humanos" necessitamos urgentemente repensar em como vivemos e convivemos.Ao olharmos para os lados só percebemos correria sem tempo para quase nada.E,a vida é um dar e receber.Temos que tirar o pé do acelerador da vida e viver com mais tranquilidade.Gotei do seu espaço.Um grande abraço!

Regina Rozenbaum disse...

Que análise linda Dê! Eu, por incrível que possa parecer, estou na contramão dessa correria e com saudades intensas do corre-corre de outrora. Pode? Horas vagas por demais que compartilho com a solidão atualizada e revizada...eu hein?! Gosto naum! Quando corria (e não me pergunte como)espichava as horas e arrumava tempo pra um tudo...inclusive telefonemas, encontros com amigos, escrever, etc e tal. Hoje com tempo de sobra fico aqui...de-sa-ni-ma-da. Vai entender?!
Beijuuss, minha irmiga de olhar preciso, n.a.

Jesus te ama! disse...

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UM GRANDE ABRAÇO DEUS TE ABENÇOE !
concordo contigo as vezes no corre corre da vida perdemos o que é mais belo deixamos de lado de dar a importância devida gostei do puxãozinho de orelha saio daqui refletindo mais

ValeriaC disse...

Excelentes suas reflexivas palavras, amiga!
Infelizmente as pessoas se tornaram prisioneiras da correria que de certo modo impuseram à elas mesmas, até porque somos e vivemos reflexos de nós mesmos.
As pessoas correm demais, porque se iludem demais com tantas coisas e não cultivam outras, que seriam as de fato tão mais significativas, prazerosas em suas vidas.
Não escapo incólume à agitação, do transito principalmente, da urgência de alguns compromissos, mas gosto de sossego, moro num bairro bastante tranquilo na minha cidade e posso dizer que me sinto privilegiada por ter um tempo só pra mim, ficar no meu silêncio, ouvir pássaros, comungar com a natureza, com a paz... vejo com pesar as pessoas que não percebem os detalhes lindos que a vida traz a cada amanhecer, mas focam suas atenções no lado pior de tudo e todos.
É preciso tomar consciência e direcionar nossas vidas ao que nos faz bem de verdade, não é mesmo?
Está tão lindo seu blog,como você amiga, que é linda por dentro e por fora. Te admiro muito viu?
Beijos,
Valéria

Milene Lima disse...

E você fez um retrato bonito desse cotidiano que nem é tão prazeroso assim... Minha mãe mora numa rua pequena, embora com um certo movimento, ainda permite que as crianças inventem brincadeiras, joguem bola, sejam elas mesmas, muito além dos jogos de vídeo game.

Sinto muita falta disso também, Denise. De mais humanidade.

Pois se sente essa urgência de mudança, de novo quadro a ser pintado, que te surja motivação e inspiração para fazê-lo.

Beijo, galêga.

Leonel disse...

A gente acaba fazendo opções, ganhando facilidades e perdendo humanidades...
Eu moro ao lado de uma encosta verde (infelizmente mudou de cor depois da queimada da semana passada) e que tem até uma nascente, mas para comprar um pão, tenho que pegar o automóvel...
Tudo fica longe...
Mas, dá gosto ouvir os passarinhos!
Gostei muito das suas divagações...
Abraços, Denise!

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

O que dizer
diante de tantas verdades?

Penso que o tributo
que pagamos a modernidade
é a perda de encontrar
entre tantas novidades,
o sentido de estar vivo...

Que haja sempre um sonho
a nos habitar o entardecer do dia.

Aluísio Cavalcante Jr.

Denise disse...

Sincronia, né Rodolfo?
No Sete Ramos está estampado em versos o subtrair da esperança, por vc multiplicada no sonho de mudança...

Sem demônios, que a vida pulse para além do tempo medido!!
Bjos, Poeta!

Denise disse...

Olá, Marli, seja bem-vinda aqui neste lugar de trocas e boas energias...com ritmo mais ameno a vida se revela e refaz seus tons...é importante desacelerar, né?

Um grande abraço pra vc tb!

Denise disse...

Sempre ouvi dizer que faz muito aquele que pouco tempo tem...e ando comprovando isso, esticando as horas, multiplicando-ME...rsrs
Em breve vou dar uma parada, sair do circuito, voltar renovada!
Os dias, Rê, te pertencem, não deixe que te aprisionem, te roubem os passos...tudo passa, essa fase tb vai embora...creia!
Um bjãozão cheinho de meu carinho procê!

Denise disse...

Pois é Diana, eu penso que a gente precisa retomar a reflexão sempre, como forma de reafirmar o que se sente, rever conceitos, mudar critérios...enfim, repensar!

Sê bem-vinda no meu Tecer, sinta-se acolhida com alegria!
Bom fds!

Denise disse...

Eu penso, Valéria, que viver a vida implica em muitas mudanças, em um constante empenho na busca de ser uma pessoa melhor...os erros, as más escolhas, abrem portas para muitas dores, mas tb permite que o aprendizado entre, que novas maneiras de levar a vida sejam escolhas possibilitadoras...e rever essas questões faz parte dessa desconstrução...

Somos seres que se iludem no caminho pela busca do essencial, refletimos a nós mesmos, como tão bem vc disse, mas o bom é que podemos escolher de novo, de novo, e de novo...e mudar tudo!

A beleza que vc vê mora no fundo de teu ser, dentro do teu olhar - e isso vc empresta para quem se afeiçoa. e isso sim, é lindo!

Um bjo, querida, com imenso carinho - eu adorei te encontrar aqui!!!

Denise disse...

Eu sei Mi, acho que o que sentimos é muito parecido, e resgatar o hábito de olhar pro mundo, pode torna-lo infinitamente mais atraente, melhor, mais feliz...que a gente perceba as inspirações e as transforme em ações...e que isto traga as mudanças!

Um beijo, moça querida!

Denise disse...

A gente perde coisas para ganhar outras, não é Leonel? Se no fluir da vida, as perdas derem lugar aos ganhos, pq manter a atenção nas primeiras, se são os outros que encerram os tesouros que mudam nossas vidas?

Um grande abraço - feliz por te-lo por aqui!

Denise disse...

Que seja assim, Aluisio, eu acredito que nossos olhos podem estar turvando o que a vida nos dá e nós deixamos de ver...um preço alto, que pode custar a ausência de sentido e escolha equivocada da direção...

Fiquei feliz com tua presença!
Um enorme abraço!