“Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando um pão, e, ao se encontrarem eles trocam os pães, cada homem vai embora com um; porém, se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando uma ideia, e, ao se encontrarem, eles trocam as ideias, cada homem vai embora com duas."


09/02/2012





"Esforços e coragem não são suficientes
sem propósito e direção."

John F. Kennedy

08/02/2012

Operação bem sucedida!





Para atualizar as notícias sobre o novo colchão, preciso contar sobre o desfecho...
Como me propus, passei pelo critério da loja, aceitei a semana de forçada adaptação - o que não ocorreu.
Esta manhã preparei-me para o pior, e fui - disposta a voltar com uma solução!
Enquanto me arrumava, preparei um discurso, onde, claramente exporia minha condição e levaria duas perguntas, apenas: este fabricante considera a satisfação do cliente como um critério importante quando vende seu produto? Diante de uma resposta positiva, perguntaria quando iriam substituir meu colchão.
Trouxe pra compartilhar com vocês, alguns ensinamentos...
Primeiro, eu queria resolver em paz, mas, percebam, armei-me para buscar a solução pacífica. Incongruente, ainda que estivesse agindo levada pelo atendimento completamente inadequado de uma semana atrás. Sobre isto, nada foi mencionado - e eu não queria uma retratação ou pedido de desculpas, queria um colchão, e queria que isso fosse resolvido sem brigas. Queria o tratamento respeitoso e eficiente do dia em que comprei duas camas!
Quando entrei na loja, a vendedora, sorridente, me saudou dizendo que iria me ligar hoje - independente de ser verdade ou não, acolheu-me com educação e foi cortês. Eu fui logo retribuindo o sorriso (guardei as armas ao perceber que a munição era uma estupidez!) e contei a ela que voltava depois de cumprir as normas da loja, muito triste por não ter conseguido adaptar-me à minha cama nova, que já ganhou enxoval completo e está linda - apesar de desconfortável.
De pronto ela me disse que a ordem para substituir a mercadoria já estava liberada, e enquanto preenchia os papéis necessários, ganhei uma massagem na cadeira maravilhosa que vendem lá, depois assinei o que pediram e paguei o referente ao transporte de retirada e entrega do meu novo colchão. Ah, e agradeci a vendedora pela pronta (?) solução, claro!
Saí da loja satisfeita com três coisas: tive meu problema resolvido - espero amar o novo colchão, pois será este o meu companheiro de jornada noturna, e pronto! - e isso aconteceu com a tranqüilidade que desejei. Terceiro ponto e o mais importante, talvez, foi a lição: se desejo a paz, não devo usar armas. Eu era a outra parte dessa relação, a que sairia beneficiada e tinha o interesse em resolve-la sem estresse. Desfiz-me das armas e melhorei a intolerância.
Dentro de alguns dias, meu sono vai ser como no sonho que tive quando resolvi trocar meu amor velho por um novo - e aqui cabe outro aprendizado: queremos ganhar com o novo, muitas vezes, comparando-o ou não largando o velho, e isso também compromete o resultado.
Estou feliz por tudo ter caminhado para um desfecho bom e em harmonia.

Aguardem o champagne em celebração do resultado final!!

01/02/2012

O corpo tem memória!



Imagem por Helena Venzke

Eu estou vivendo um momento esquisito, de adaptação a uma cama - nova. O corpo rolou a noite toda, amanheceu dolorido e triste de saudade do colchão que o abraçava, acolhedor, amigo, reconfortante. Precisou ser beeeeemmm alongado no pilates, afinal, precisa estar cheio de disposição pra sentar-se no chão, correr atrás de menino arteiro, dar milhões de abraços demorados.
Bom, saindo da academia me dirigi à loja, por duas razões simples: a base da cama, tipo box, veio com falha na costura - considero que uma marca pra lá de (re)conhecida pecou no acabamento e isso me surpreendeu - e pra contar de meu desconforto, trocar uma ideia sobre as possibilidades de trocar o dito colchão por um mais macio, talvez. Fui instruída a dormir por mais uma semana (doeu só de ouvir!) para que o corpo se adaptasse, uma vez que tem memória e está buscando pelas sensações habituais. Tá eu melhorei muito a tal explicação, mas, em essência, é isso, e eu concordei, mas já fui me adiantando, querendo saber se a tal adaptação não ocorresse, se seria possível trocarmos apenas o colchão pelo que tem mais maciez nas fibras do látex. Ouvi esta resposta, vejam se nesta loja consideram que a satisfação do cliente é um critério importante de avaliação e, mais - e pior, se houve respeito no trato com uma cliente educadamente sorridente, bem humorada, apesar de dolorida: - "E se a senhora não gostar, depois de uma semana, vai chegar aqui querendo trocar de novo?"
Lamentos a parte, saí de lá decepcionada, avisada de que seria aberta uma ocorrência (oi?) e compromissada com a tal tortura semanal. A tal base será substituída, porque é impensável que o controle de qualidade não tenha visto, e eles têm compromisso, nesse quisito, com o público. Menos mal que se obriguem a atender a um rigoroso controle de qualidade (é, eu também ri disso!) que vai substituir a parte que nem é visível, pois trata-se da base de sustentação de um mero colchão desenvolvido pra dar conforto. Com isto o cliente não pode ficar insatisfeito!! Deixando de lado a ironia, também saí de lá com uma frase se repetindo, louca pra ser explorada: nosso corpo tem memória!
Faz como eu, esquece a cama, e vamos pensar juntos sobre isso...

Concluí que tem memória sim, olfativa, de tato, de paladar, de visão, de audição.
Eu me peguei sentindo algumas sensações que a memória da pele guardou, pra sempre, lembranças do que os músculos provaram, e os olhos fechados trouxeram os toques, os cheiros, o calor, o aconchego, a saudade relativa às memórias que armazenam o prazer; como o frio que as manhãs desagasalhadas de carinho desejam outros amanheceres, ou a sensação vívida de um abraço demorado, ombro molhado das lágrimas silenciosas a drenar alguma dor antiga - minha, deles, delas, nossa! E o toque das mãos, de lábios, de ombros - de corpo inteiro? E o que dizer da textura das vestes gentis da pele do outro corpo, das roupas, das superfícies...
E o cheiro? meu Deus, como é verdade que o corpo lembra do talco daquele bebezinho que acalentou, do cheiro de leite que os intervalos das mamadas não venciam guardar, da loção de uma pós barba que não arranhou, do suor dos corpos que se atraíram e se roçaram, do sabonete, do creme, do perfume.
E o sabor da boca, da pele, das lágrimas, do chocolate lambido no dedo gentil - e de outras artimanhas que o amor sabe oferecer...ah, o sabor!!
O corpo tem memória auditiva, reconhece os chamados, o encantamento do silêncio, os ruídos íntimos, as delícias ditas roçando os lábios na pele. O corpo ouve apelos, faz apelos - e ouvidos moucos.
E também enxerga coisas que nenhum outro sentido vê.
O corpo tem memória, definitivamente - e o fato desta frase ter propiciado um delicioso passeio pelas sensações - e minhas memórias - é a parte boa de uma conversa que poderia ter sido mais empática.
De um evento desagradável, ocupei-me da lição que me proporcionou, daquilo que me trouxe de bom - dolorida, mas aprendiz da vida!


*A imagem escolhida - por representar a leveza, a intensa beleza de minhas memórias e a transformação compartilhada com vocês - foi um presente ganho esta manhã da Helena, uma sobrinha reconhecida pelo coração, sensível e adorável!


25/01/2012

O retorno!





Muni-me da maior disciplina de que sou capaz para me sentar aqui e retomar este cantinho que tanta falta me faz, pois sem ele, não estou junto a vocês!
Imaginem a lista interminável de afazeres me aguardando após quase um mês ausente de casa...estou ainda adaptando-me à rotina e demandas às novas prioridades, razões que me impediram de vir pra cá assim que cheguei.
Este ano já começou intenso, e eu, trazendo na bagagem novos sonhos, vou viajar por ele, 2012, feliz como nunca, compartilhando com vocês as alegrias e conquistas, ô coisa boa!!

Estive neste período em férias e na companhia bem próxima de gente que amo, de preciosos amigos, vivenciando na pele e coração tudo de bom que é possível nessa vida. Na seqüência, dando continuidade a uma prática de estudos nessa época do ano, fui fazer um curso de formação em Coaching, e voltei afiada em realizar sonhos!!...rsrs. Por isso, declaro-vos que volto renovada em corpo e alma, cheia de planos e energia!!!!!

Quero agradecer a cada um que esteve aqui e não desistiu de esperar, vou responder a todos com imenso carinho, cheia de alegria pelo retorno e por te-los aqui comigo. Além do blog, são centenas de e-mails para ler, mas conto com a compreensão de meus queridos para atualizar-me!

Pensei em uma mensagem inaugural para 2012, mas decidi compartilhar aqui mesmo parte do fruto destes recentes aprendizados, trazendo esta reflexão:

William George Ward dizia que "as oportunidades são como o nascer do sol: se você esperar demais, vai perdê-las." Por acreditar nesta afirmação, estou em busca e atenta, mas proativa, porque para aproveita-las, é preciso decisões - e atitudes!

Me despeço deixando esta canção, executada pelo fabuloso Yanni, quem não conhece a tradução, sugiro procurar, é belíssima!

Muitos beijos, cheios de saudade!!




14/01/2012

Cheguei...






Amigos queridos, depois de dezessete dias fora de casa, estou de volta, e já de mala na mão de novo...rsrs...
Foram dias de absoluta alegria compartilhada com pessoas que amo, momentos tão especiais que as palavras não reproduzem! Trouxe na bagagem fotos incríveis, lembranças eternas e saudade antecipada - juntando com a que senti de vocês, sou uma mulher cheia de saudade!!...rsrs
Como eu previ quando deixei uma pequena mensagem recepcionando o ano novo, fiquei afastada da net - porque não tinha conexão em alguns pontos da viagem, e porque manter estrito contato foi uma opção que assegurou viver cada dia na inteireza - o note ficou na minha mesa!
Minha ausência era apenas temporária, e vocês foram parceiros aguardando meu retorno - vocês são o máximo!
Recebi todos os comentários queridos que deixaram (e que vou moderar ainda hoje) e aproveito, sem anestesia, pra contar que vou precisar de mais uns dias para voltar, porque esta é a época que aproveito para fazer cursos, e volto de um deles na última semana do mês...não morram de saudade e nem esqueçam de mim, feito?

2012 é ano de transformações, realizações e felicidade...amém!

Escolhi a foto que tirei num lugar encantado chamado Aldeia do Papai Noel, em Gramado, RS.
Sintam-se abraçados e estreitados junto do meu coração, com o imenso carinho que dispensa palavras...


31/12/2011

Ano Bom!!





Amigos queridos, por estar viajando, não estou aqui com a freqüência de sempre, mas não poderia deixar de trazer meu abraço recheado de imenso carinho e afeto, desejando que todas as mudanças necessárias para a realização de tudo que sonham para 2012, tenham e estejam acontecendo dentro de cada um de vocês - e que a semeadura feita no permanente caminhar propicie uma colheita feliz!
Despedindo-me deste ano feliz, cheia de gratidão e alegria, recebo o ano novo com o coração leve e a esperança de que jamais desistamos de nossos sonhos, eles dependem de nossa persistência para se concretizarem.
Também sou grata pelo convívio amigo, afetuoso, alegre e indispensável com cada um de vocês - desejo que possamos permanecer juntos, desfrutando da alegria que é viver e compartilhar!

Muito amor e bastante paz pra desfrutar de um ano bom!
Até logo mais!!


**Retorno dentro de alguns dias para responder com o carinho que já conhecem, a cada comentário querido que deixaram, e deixarão. Um beijo!

22/12/2011

Boas Festas!


Amigos queridos, eu não consegui voltar na segunda-feira, como planejei, o período é de fechamento de trabalho e concretização de alguns sonhos. Como prometi, compartilho com vocês a notícia do noivado da minha caçula, momento de intensa alegria e realização como mãe! Os preparativos tomaram nosso tempo, mas como você pode imaginar, cada detalhe foi pensado com capricho, o que tornou a reunião íntima - somente familiares mais chegados - um momento memorável. Ela estava (é!) linda, nervosa e feliz....rs. O noivo, emotivo e muuuuito nervoso, e os pais, desejosos de vê-los perpetuar o amor, compartilharam emocionados, dessa felicidade tão grande. Reunir famílias que moram longe tem a vantagem de estender a festa, e foi o que fizemos ao longo de um fim-de-semana cheio de alegria e emoção.

Agora coloco no carro a bagagem e me reuno com meus amores para o Natal, não sem antes vir até aqui e deixar, para cada um de meus amigos queridos, um abraço fraterno e afetuoso, com o desejo mais sincero de que a Paz reine em seus lares, o amor se derrame em nossos corações e a partilha dessa energia amorosa atravesse distâncias geográficas, levando até vocês meu imenso carinho e os votos de um abençoado Natal!

Muita LUZ e PAZ, AMOR e GRATIDÃO, celebrando o aniversário do Menino Jesus!

Boas festas!

08/12/2011

Ei, psiuuuu...




Um recadinho pra você que tem passado por aqui - e que vai voltar...rs

Tô em ritmo de festa, volto na segunda pra responder cada comentário - lindos!!! - que deixaram e deixarão...não posso fazer isso com pressa, quero me sentar com vocês e dedicar toda a atenção e carinho que merecem. É muito bom ter essa liberdade de pedir um tempinho e saber que você entende, obrigada por ser especial!

Um lindo fim de semana, o meu será maravilhoso, depois eu conto, tá?

Beijo, saudade!

05/12/2011

Desejo que tenhamos muita coragem!!





‎"Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia.
Esse jeito de ver além dos olhos, de ouvir além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio, tão clara, no próprio coração. Essa sensação, às vezes, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta.
Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói ser ferido.

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia."

Ana Jácomo

*Imagem e texto recebidos das minhas queridas Zizi e Tere, respectivamente.
Obrigada, amores!

04/12/2011

Este não é um dia como outro qualquer...




Tem dias que parece que toca dentro de mim, uma suave canção. Noutros, a vibração forte me leva a pensar que há uma orquestra inteira a ecoar-me, regida pelo maestro tempo; enquanto na rotina dos dias, a sinfonia que não ouço é oca, flagelada, estéril. Bem verdade que aqui e ali alguns sons preenchem o silêncio, dando vida às sensações que não abandonam meu existir.
Tem dias em que a saudade se esconde, ocupando-lhe o lugar uma suave esperança - e chego a pensar que os olhos nunca mais hão de chorar, porque aquilo que arde tanto, o ar da esperança assopra e empurra pra bem longe.
Também te acontece viver dias em que não sabe contar o que sente? E, olhando nos olhos que te fitam no espelho, vislumbra o mundo de emoções sem nome que cruzam o tempo, mas não te devolvem nada que desvire o revirado ou acalme o desassossego da alma que se aflige pela desorientação dos sentidos?
Entretanto, tem aqueles dias em que bem sabemos qual é a música e onde nos toca – em volta, por dentro, lá atrás e à frente do sentimento - que tem nome, e de tão grande, não se esconde porque não tem onde, e nem porque. Hoje é um dia assim, e os olhos que fitam os meus no espelho do tempo, reconhecem as marcas da vida, sabem quando cada uma nasceu, e, melancólicos, se fecham para ouvir a triste canção...

01/12/2011


Estremeci diante dessa imagem, que foi uma das mais fortes que já vi...



Quando o vício exclui tudo e despe o sujeito de qualquer sentido...


Desafio




Recebi este desafio da Zizi, minha amiga do Bloguinho.
Devo responder sobre as 5 coisas...
Como ela, já participei antes de convites parecidos, mas como hoje já não sou a que era ontem, certamente estarão diferentes minhas respostas.
Vamos às questões:

5 COISAS QUE GOSTARIA DE FAZER ANTES DE MORRER:
1 - Um cruzeiro.
2 - Conhecer mais lugares do Brasil.
3 - Comprar uma casa com um quintal enooooorme!
4 - Desfilar de novo na Sapucaí!
5 - Publicar meu(s) livro(s).

5 COISAS QUE FAÇO BEM:
1 - Arrumo uma mala como ninguém...rs
2 - Paparicar meu neto.
3 - Dirigir!
4 - Meu trabalho.
5 - Sublimar...rs

5 DEFEITOS:
1 - Me antecipo, por isso sofro duas vezes!
2 - Entro em conflito com minha energia mental...rs
3 - Me acho perfeccionista.
4 - Às vezes não sei esperar...
5 - Apego.

5 COISAS QUE EU ADORO:
1 - Escrever.
2 - Ler.
3 - Tirar fotos.
4 - Viajar.
5 - Brincar com meu neto.

5 COISAS QUE EU DETESTO:
1 - Marcar hora e se atrasar!
2 - Gritaria.
3 - Pouco caso com os idosos.
4 - Doença.
5 - Mania de acharem que sabem o que o outro sente/vive/pensa.

PESSOAS QUE GOSTARIA DE ACRESCENTAR À LISTA:
Quem passar por aqui e quiser compartilhar um pouquinho de si, como eu fiz. Vou adorar, aceita?



A felicidade é simples!


29/11/2011

Qual é o sinal?




O sinal fechou e eu, a contra gosto, parei. [Estava atrasada...]
Pois é, tá ficando sintomático isso...rs

Voltando, mal o carro parou, dois rapazes se aproximaram da janela, um deles munido de uma câmera. O sorriso que acompanhou o pedido para baixar o vidro me convenceu - uma simpatia mesmo, conferi na seqüência. Era uma entrevista relâmpago, me disse ele, uma única pergunta [tá certo, eu respondo, moço (chamava Rodrigo, escrito no crachá de identificação)].

- Como você vê o trânsito da nossa cidade?
Bem, pra te falar do trânsito, vou precisar falar das pessoas - o trânsito só é o reflexo, o sintoma do que está acontecendo com a gente. E não vou te falar do estresse como causa, porque vai além...o caos das ruas está na ansiedade, na intolerância dos sujeitos, no desrespeito, na falta de educação, do bom senso e na pressa - e antes que eu prossiga narrando, veja minha frase inicial, logo, me incluo, mesmo evitando cometer infrações!
Além disso, tem a galerinha distraída...com a(o) namorada(o) do lado, com o filho na cadeirinha do banco de trás, com a música (se tocar a sirene da ambulância ou da Polícia, quem ouve??), com o celular, com o iIsso, o iAquilo...rs. E, muitas vezes, o que mais distrai é o devaneio em busca das soluções para os problemas...a gente viaaaaaaja procurando a melhor alternativa enquanto o farol fecha - quando abre, o apressado de trás cutuca e a gente, instintivamente, acelera...
Hã...Resumir?
- Quer saber? acho que as pessoas não se dão conta, seus comportamentos são apenas o reflexo daquilo que muitas vezes nem percebem, e assim, no trânsito, evidenciam a sua desorganização interna, dirigem seus carros como suas vidas: desatentos, displicentes, atropelando-se, e não diminuem a marcha até serem paradas - pelo guarda, pela doença, por quem não agüenta conviver com a loucura...
- Hein? Qual é minha profissão? Mas não era uma pergunta só?, respondi rindo já esperando o sorriso que vi, acompanhando a lógica dele: - logo vi! Obrigado, moça!

Abriu o sinal e eu segui, pensando: qual afinal, é o sinal que estão me dando? (ou que estou recebendo?)

24/11/2011

Estamos vivendo um paradoxo.




Nunca se ouviu tanto falar em solidão e recolhimento – pretensamente com o subtítulo de prática para o crescimento espiritual. Evidente que a evolução deve ser buscada e oferece elevação para o espírito daquele que a busca. Essa procura é mesmo solitária, e a isto chamamos solitude. Trata-se de outra coisa, para a qual te convido a acompanhar-me nesta reflexão.

Eu estava parada num cruzamento movimentado do centro da cidade, esperando abrir o farol. Não pude me furtar a observar o ritmo frenético das pessoas que passavam, e mais do que passos apressados, observei-lhes as faces, os ombros, a postura do corpo projetado pra frente, como escudo a um obstáculo invisível. Os motoristas compondo uma dança de avança_sinal_atropela_transeuntes, numa pressa justificada pelo relógio que marca sempre a hora acelerada de dias intermináveis. Sondei o incômodo que senti diante dessa coisa grotesca que chamamos hora do rush.

Que resistência é essa que tornamos clara no corpo?

Que peso é esse que sobrecarrega nossos ombros?

Que tensão é essa que se dobra nas rugas dos rostos jovens, nas marcas claras de um disfarçado aborrecimento, da insatisfação?

Onde fica o que tanto buscamos?

E pra onde essa gente vai com tamanha sofreguidão?

Que vida caricata é essa que levamos? – me perguntei.

E passei a correlacionar esse aspecto com outro: não há precedentes de tanta exposição emocional nas redes sociais – nunca foi declarada a solidão das pessoas como agora, pedidos claros de afeição, de atenção. Misteriosamente, essas pessoas que desejam ser ouvidas, que sonham com uma atenção especial, cada vez mais se refugiam na virtualidade das relações. Será que ali encontram um conforto que acomoda as sensações de abandono, de exclusão, de não pertencimento? Talvez possam ser o que são, ou não precisem dar tantas explicações, recebam melhor aceitação, menos críticas, mais...o que?

Essa modalidade pretere as relações em que nos permite conversar com os olhos nos olhos de nosso interlocutor, onde um abraço toca o corpo e a alma, quando é possível secar o pranto de um amigo, consolar uma dor com o afago de mãos carinhosas. Estar diante de pessoas é mais do que colocar nossos ouvidos à disposição, é estar em prontidão para uma troca afetiva que envolve a presença, em que um olhar confirma um mínimo gesto em direção ao outro, quando o beijo pode ser cúmplice daquele amor, quando a atenção e o carinho podem fazer a diferença. Onde foi parar esta nossa preferência de conviver em sociedade? Como o partilhar de nossas existências pôde ser reduzido ao clique de um botão?

Também isto apareceu nesta conjuntura reflexiva. Em uma casa de chá assisti a uma cena triste: um casal jovem, ela grávida. Ao que parece, foram buscar uma encomenda, e, enquanto aguardavam, tomaram um café. Ela se dirigiu ao balcão, depois à mesa, e ele sempre ao seu lado...manuseando sofregamente seu iPed. Ela falava e ele respondia sem olhar. Ela escolheu o salgado para os dois enquanto ele se contentava com a tela à sua frente. - Em que ambiente essa criança vai viver? – pensei. Bem, terá sua mãe, então com sorte não precisaria sair da maternidade com um eletroeletrônico para si, junto das fraldas...

Mas não precisei sair às ruas para ver o absurdo em que caímos. Em um almoço familiar as crianças e jovens participam com as cabeças baixas, dedos ágeis nos seus joguinhos de ultima geração. Assustam-me as conversas que não terei com meus netos, caso façamos de seus mundos essa alienação repleta de um vazio ensurdecedor...

Você acha que é só esta a questão?

Outro aspecto merece que prestemos urgente atenção. Quer ver?

Se observarmos mais profundamente, quem é que para pra ouvir aquele conhecido e automatizado: - oi, tudo bem? - quando cruza com alguém? Até mesmo ao encontrarmos com alguém, para o mesmo cumprimento, a resposta sequer acompanha o olhar, que já está perdido lá na frente da próxima obrigação. Experimentei surpreender na resposta, e precisei conter o riso ante o menear rápido de uma cabeça e lábios entreabertos de surpresa diante de meu “não, não estou bem.

Isso mostra a hipnose coletiva que vivemos? Por isso as queixas são parecidas, então...

Ouvimos falar da privacidade e da individualidade – direitos legítimos que defendo como essenciais à nossa formação. Mas...quando foi que nos tornamos individualistas e perdemos o interesse pelas pessoas que nos cercam? – as mesmas que acusamos de abandono, que, retribuindo na mesma moeda, contribuímos para afastar mais e mais, segregando-nos e ao outro, como ilhas a namorar o mar que as rodeia.

Substituímos por valores mais fortes e consistentes aqueles que cresceram enraizados nas nossas entranhas? O que foi feito das reuniões familiares que rendiam aos domingos os melhores momentos ao reunirem as pessoas que planejavam antecipadamente o cardápio, escolhiam músicas, doces, e contavam longas histórias numa roda de intermináveis conversas cheias de risadas e crianças andando de bicicleta e correndo à volta? Elas eram barulhentas, mas enchiam de vida a vida dos adultos que, por sua vez, as levavam ao parque enquanto conversavam com outros pais, tomavam decisões importantes em conversas que eram retomadas – hoje as coisas são decididas pra ontem, ponderadas rapidamente, espremidas nos carros enquanto seguem para seus trabalhos, muitas vezes absortos no trânsito, ou, como eu que, ali em companhia de minhas músicas preferidas, mergulhada no trânsito caótico de uma cidade inchada de carros, divagava com o olhar perdido em algum lugar dentro de mim mesma...

Muito pessimismo meu, você está achando? Em qual parte deste texto você já se enxergou? Em qual ponto da leitura tua inquietação começou? Qual sentimento minha reflexão despertou aí dentro de você?

Ah, tua indignação é porque você faz parte daqueles que se enquadram na descrição dos almoços em família? Você [ainda] se reúne com os avós, os tios, jogam cartas, discutem política, mostram os artesanatos que fizeram, trocam receitas, discutem as novelas e seus excessos, fazem passeios, cantam, dançam e viajam juntos. Você também foi ao parque neste fim de semana!!! Sim, existe tudo isso e é maravilhoso, e não estou aqui dizendo que somos a minoria. Ou somos?

Talvez esteja estranhando, se perguntando onde está aquela mulher que demonstra tanto otimismo e fé na natureza humana. Claro que não pintei um retrato sem solução ou sem alma, menos ainda estou fazendo apologia à solidão humana – mas, justamente por preocupar-me com o ser humano, ser aquela que crê na felicidade e defensora de suas infinitas possibilidades de realização, penso que se a gente não tomar cuidado, não prestar atenção - não despertar - poderá entrar nessa barganha infeliz de trocar a vida pela plastificação dos sentimentos, pela destonalização das emoções, e não há remédio que combata esse mal, não conheço efeito mais triste, devasta_dor, do que aquele que consiga afetar nossa alegria de viver. Você conhece?


20/11/2011




Eu hoje não olhei pra porta fechada, prestei atenção na janela aberta.
Ou era porta a abertura que mostrava a paisagem dos meus sonhos?

19/11/2011

José Saramago




“Escrever é traduzir. Mesmo quando estivermos a utilizar a nossa própria língua. Transportamos o que vemos e o que sentimos para um código convencional de signos, a escrita, e deixamos às circunstâncias e aos acasos da comunicação a responsabilidade de fazer chegar à inteligência do leitor, não tanto a integridade da experiência que nos propusemos transmitir, mas uma sombra, ao menos, do que no fundo do nosso espírito sabemos bem ser intraduzível, por exemplo, a emoção pura de um encontro, o deslumbramento de uma descoberta, esse instante fugaz de silêncio anterior à palavra que vai ficar na memória como o rasto de um sonho que o tempo não apagará por completo.”


Do comentário do amigo Manuel,
criei esta segunda ilustração.



18/11/2011

Ser feliz...





Que tal AGORA???




17/11/2011

Isto sim é uma reforma!




Acesse o link para ver a apresentação que a Odebrecht fez em 3D, da reforma completa que o Estádio do Maracanã receberá para os jogos da Copa de 2014.

15/11/2011

E de repente essa vontade de um abraço...




Não sei bem quando a saudade chegou, sei que o tempo parou e senti um cheiro, ouvi um riso, e o coração se apertou quando enxergou dentro de si os olhos vivos, brilhando. Imediatamente fechei os meus e mergulhei nas sensações, sentindo a urgência de espremer a distância, de estreitar nos braços o corpo pequeno. Fiquei assim, por longos minutos, como que materializando a cena, até o momento em que, pra minha surpresa, outro corpo se insurgiu, e os meus braços se abriram de novo, e então percebi que estava preenchida daquele calor que só um abraço tem. O tempo parou do lado de fora de minhas emoções, e senti que nesses abraços imaginários (?) estava trocando mais do que o calor físico, muito, muito mais do que a proximidade de corpos supostamente distantes.
Nesse mergulho profundo, muitos outros abraços troquei, a cada um que abraçava, sentia a linguagem própria desse contato que ultrapassa o físico, permitindo que me invadissem o conforto, a maciez, a intensidade, a ternura, a amizade, a sensação maravilhosa de voltar pra casa.
Nesta manhã de feriado que esvazia as horas, pude sentir as ondas de emoção passeando pelo corpo que, cativo dos (a)braços queridos, se fez refém desse momento renovador.
Você também já deve ter sentido que o abraço da despedida é diferente do trocado no encontro, e também que num único abraço cabem as tristezas divididas e as alegrias partilhadas, e que eles enlaçam as vitórias e estreitam o afeto.
Abraçar alguém mostra que realmente nos importamos, que sentimos afeto, que transmitimos carinho, aconchegamos junto aos corpos, infinitas sensações. O abraço mostra confiança, oferece compreensão, protege, acalenta. Abraço forte aplaca o medo, e cúmplice, compartilha segredos. O abraço comemora, parabeniza, junta pedaços e acolhe.
Um abraço carrega energia, transmite calor, derrete o gelo, enxuga lágrimas e afasta tristezas.
Num abraço explodem sentimentos reprimidos, transbordam as emoções escondidas quando expande o bem-querer pelo outro.
O abraço pode ser coletivo, pode ser múltiplo daqueles sentimentos que a timidez evita mostrar. Abraços são silenciosos, ou festivos, barulhentos, efusivos, calorosos, apertados, balançados, de frente, costas e lado!
No abraço tem a entrega, a permissão, o desejo, a carícia, a prontidão. Tem abraço de compaixão, de perdão, com gratidão. Tem amor, tem respeito, tem saudade no laço do abraço.
Abraços falam coisas que as palavras não sabem dizer, e naquele momento parece mesmo que os braços alcançam a alma daquele corpo que tem o coração batendo junto com o da gente.

Melhor do que olho no olho
contando ao outro que ama,
só se der esse recado,
nesse outro abraçado!

E você, já deu um abraço hoje? Se ainda não, não perca mais tempo, e se não tem a quem abraçar neste instante, feche os olhos como fiz, e sinta-se por mim envolvido(a) num terno, amigo, carinhoso abraço!!