“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


19 de fev de 2010

Aprendendo a conviver com quem se ama (1)



Capítulo I

Relacionamentos

Walsch usa a si e sua experiência para falar das coisas.
Nesta abordagem, ele comenta que sempre buscou compreender como os relacionamentos funcionam e qual sua finalidade em sua vida. Até tempos mais recentes, não tinha essa compreensão. Pensa que não estava preparado para conhecer-se melhor, admitir certos fatos e mudar padrões.

Seus relacionamentos, em geral, começavam pelas razões erradas - os nossos também - e os conservava enquanto obtinha o que queria deles, interrompendo-os quando não conseguia mais ganhar na negociação. Sim, era o que pareciam, negociatas que traziam vantagens para ambos, até que uma das partes deixasse de dar sua contribuição. Porém, como não tinha essa consciência, esforçava-se para ter melhor desempenho no relacionamento seguinte, engatado rapidamente ao fracasso anterior.

Nas novas experiências ia moldando-se para agradar, encolhendo-se dentro de si próprio, recusando sua identidade, a autenticidade que precisa da sua transparência para construir nossas relações. Walsch conta sobre como sentia um desejo profundo de fazer o que fosse necessário para manter na sala de sua vida a pessoa amada. Dançou conforme a música da época (de acordo com quem estava em relação), deu em troca, barganhou, negociou. Foi ficando "cada vez mais enredado nesse tipo de conchavo, como se fosse uma interminável troca de mercadorias", e talvez pela insatisfação de não conseguir realizar-se nas suas relações, se perguntava "que aspecto do meu eu seria tão atraente, tão irresistível, tão magnético, que, independentemente de qualquer outro fator, faria os outros permanecerem na sala?" porque não entendia o que não funcionava. Foi então que em sua conversa com Deus (escreveu a trilogia "Conversando com Deus) ficou visível o que vinha fazendo.

Em primeiro lugar, iniciava relacionamentos pelas razões erradas. Os mantinha pelo que podia tirar deles, sempre muito disposto a negociar, vendo seus relacionamentos quase como transações comerciais. A mudança aconteceu quando percebeu que podia investir neles, ser autêntico, nunca negando seu eu - ainda que não fosse suficientemente atraente e as pessoas fossem embora, porque sempre vêm para nossas salas da vida quem nos considerará atraentes sendo o que somos.

"Entendi também - conta Walsch - que o relacionamento é a experiência mais importante que podemos criar para nós mesmos, e que na ausência do relacionamento, não somos nada." Essa sua afirmação fundamenta-se na percepção de que "na ausência de qualquer outra coisa, nada posso experimentar a meu respeito. Quer dizer, eu sou o que sou, mas não posso saber que sou. Não posso experimentar que sou, a não ser em relação a alguma outra coisa. [...] Começo a conceber a mim mesmo com base em quem está ao meu redor e nas coisas que estão ao meu redor. Por isso, o relacionamento com outras pessoas, lugares e coisas não é somente importante, é vital. Na ausência dessa relação, simplesmente não sabemos quem somos. [..] É a partir do relacionamento que eu me conheço e também me defino." Isso equivale dizer que definimos quem eu somos no relacionamento com as outras pessoas, circunstanciais e lugar.

Uma questão importante trazida por Walsch pode não agradar muita gente, mas ele diz: "Só posso ver em mim o que estou disposto a ver em vocês. E o que deixo de ver em vocês jamais encontrarei em mim mesmo, porque não sei que existe." Como é fundamental sabermos quem somos, precisamos nos relacionar, ter amigos, família, amores, ambiente onde estaremos em relação direta com todos e tudo que nos cerca. "Todos nós temos um relacionamento com as circunstâncias e os fatos de nossa vida. É graças a esse relacionamento que experimentamos, anunciamos e declaramos, expressamos, realizamos e nos tornamos quem realmente somos. Quando entendemos o lugar sagrado que o relacionamento ocupa na experiência de todos nós, passamos a saber realmente que a experiência do relacionamento é sagrada - não apenas em pensamento, em palavras, mas de fato. Quando entendemos isso, os fatos que desenvolvemos nos relacionamentos começam a mudar drasticamente."

O segredo está em entender a nossa função primordial no relacionamento: "olhar cada pessoa em profundidade, vendo nela o melhor que ela pode vir a ser, e ajudá-la a transformar essa visão em realidade", se ela desejar, naturalmente. Isso significa que os parceiros não deveriam tirar um do outro o que precisam para si, e sim dar um ao outro o que precisam individualmente para crescer e tornar-se o que pode ser, plenamente. Isso só é possível se permitirmos que as pessoas sejam o que são, expressem e experimentem quem realmente são.

Walsch sinaliza que a questão principal é entender qual o objetivo dos relacionamentos, e o que podemos fazer para tornar possível no outro, qual potencial seu que podemos ajudar a desenvolver, o que podemos criar, motivar, estimular, dar-lhes brilho (como nos carros) para que realizem o máximo de seu potencial. Note-se que ele fala de uma realização que o outro fará pelas mãos de nossa colaboração na relação com o outro, e não que está em nossas mãos o desenvolvimento dessas potencialidades.

Tudo o que ele expõe nesse capítulo, visa fazer-nos compreender que esse é o meio de atingirmos a auto-realização, que muitos pensam ser possível conseguir mantendo-se sentadas, em silêncio, sozinhas ou em companhia de velas ou música, emitindo sons que ajudem na meditação. "Não quero que imaginem que estou desvalorizando essa experiência nem dizendo que é errada. Pelo contrário, quanto mais tempo passarem envolvidas nisso, melhor. Mas se acharem que essa é a única maneira de se auto-realizar, não terão entendido a grande sabedoria: estamos aqui um para o outro. Estamos aqui para nos relacionarmos."

Quando chegar a compreensão de que não devemos tirar nada de ninguém, e sim darmos tudo que somos sem necessitarmos de troca, e quanto mais nos aproximarmos desse ideal, mais felizes seremos em nossos relacionamentos - doando-nos de maneira mais completa, vivenciando um amor que não conhece condições. Um dia desses seremos capazes de sermos verdadeiros sem precisar achar que há algo errado com o outro ou transformá-lo em vilão para justificar-nos. "Simplesmente porque constataremos que somos diferentes e que aquilo que é uma necessidade absoluta para o outro não me faz feliz. [...] Quando chegarmos a esse lugar, poderemos então criar o relacionamento amoroso e duradouro que desejamos ter na vida, porque esses relacionamentos também não dependem de qualquer condição nem têm limites."

2 comentários:

Rejane-Enajer disse...

Amiga, que tesouroooooooooooooo... este estou levando na bolsa, como diz você.Simplesmente e fantáticamente humano!!Acho que você deveria repetir este post, muita gente não abre posts anteriores e esta leitura muita gente pode estar precisando.
ADOREIIIIIIIIIIII
Bjocassssss

Denise disse...

Oi Rê, vc sempre no garimpo, né amiga?...rsrsrs

Eu li o livro e fui resumindo pq achei sim, que pudesse ser útil pra alguém. Foi pra vc, estava certa...rsrs

Eu vou fazer a chamada para quem quiser espiar. Que bom que na tua bolsa cabem muitos tesouros, minha amiga.
Bjos pra vc!