“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


7 de dez de 2007

A dialética do verbo


Discuto hoje as versões positiva e negativa que se atribui ao verbo “perder”.
Mencionar perda já parece pressupor algo ruim, porém, depende exclusivamente da lente que usamos para ver essa questão; nem toda perda é ruim.
Por exemplo: perde-se o medo, mas se ganha coragem. Perdendo ilusões, ganhamos consciência. Perdendo a covardia, conquistamos valentia. Perdendo a dúvida, adquirimos a confiança. Ao perder o ressentimento, nos invade a serenidade. Perde-se o orgulho para conhecer a humildade. E deixando de condenar, passamos a perdoar.
Ao perder algo, ficamos na falta, e nesse espaço instala-se outra coisa. Por que precisaria ser então a perda, necessariamente, uma coisa ruim? Perda é prejuízo, então logo sugere ser “menos”. Uma subtração, e de fato o é, pois se retira um sentimento, uma sensação, um pensamento, uma emoção, para ceder lugar à outra característica. E esse novo atributo pode ser bom, positivo.
Particularmente, reflito sobre o muito se ouvir dizer que os sonhos se perdem ao longo da vida. Penso que podemos ver como perdas também as transformações que fazemos no caso dos sonhos. Muitos abandonamos no caminho, por certo, entretanto esse abandono se dá pelas escolhas que fazemos. De alguns nos desinteressamos naturalmente, outros ainda, perdem seu sentido dependendo do contexto e das circunstâncias. E tem aqueles que realizamos e outros que transformamos.
Seria perda ou o ato de rever seu valor, sua validade, potencial ou significado? Ou simplesmente escolhemos adaptar ou repensar sonhos antigos para novas realidades? Alguma alternativa tem que servir, menos a morte dos sonhos, porque a humanidade precisa deles para subsistir. Elleanor Roosevelt afirmou que "O Futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos”. E como acredito que a vida não é estática, concordo com a autora, porque realizando ou reeditando sonhos, concretizamos a vida.
Dizer que perdemos sonhos e que eles não alimentam a vida é, em contrapartida, afirmar que é indiferente tê-los, construí-los, acalentá-los e persegui-los durante nossa existência.
E porque acredito no poder realizador dos sonhos, não acreditando que se percam, empresto as palavras de Lady Nancy Astor para finalizar:

"Sonhos são formidáveis. Quando eles desaparecem você pode ainda estar aqui, mas você terá parado de viver”.

♥ Denise

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