“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


7 de dez de 2007

O poder da palavra.



Ao ser proferida, a palavra tem função.
Ela preenche hiatos de silêncio, pode ser dita impulsivamente, vir acompanhada (ou não) de expressão facial, ser um sinônimo, um antônimo ou verbo em qualquer tempo e lugar. Tanto afirma quanto nega. Acarinha ou açoita. Simples ou composta, ela assombra, judia, surpreende, acaricia. A palavra desconhece o retorno, uma vez dita, não se retira.
Às vezes, uma só basta, mas persiste em pluralizar. Gosta de companhia e puxa um cordel de expressões. A palavra enaltece ou critica. Bocas que se calam possuem mentes privilegiadas. Bocas que perdoam são doces como o mel. Bocas profanam almas, agasalham corações. Algumas gritam, outras sussurram.
A palavra aquece ou petrifica corações sensíveis. A falta dela entristece-os. Ela provoca emoções de toda natureza. Testa ouvidos cansados e sai em avalanches de sentenças impiedosas. Pode ser um bálsamo ou um chicote. Tem a propriedade de comunicar, mas pode construir monólogos. As letras se agregam e tomam forma, escapulindo nas horas mais impróprias. A ironia está justa no silêncio que desassiste quando é esperada, ansiosamente, e não vem.
A palavra expressa, comunica, instiga, procura, reflete, responde, castiga, amedronta, aproxima. Pode ser implacável, afetuosa, agradável, acolhedora, cordial, enérgica, sutil, ponderada, punitiva, flexível, mansa. Tem o poder de unir, antagonizar, silenciar, provocar, elogiar, destruir. É um símbolo que a humanidade lança mão sem se dar conta do seu poder. Muitas vezes irrefletida, fere mortalmente. Se sabiamente escolhida, salva amorosamente. Quando pensada, atinge seu objetivo, e este pode ser mordaz ou afável. Também soa ressentida se recebe réplicas indesejadas, agoniza se surpreendida. A palavra gosta de ser ponto final em muitas situações.
A entonação sugere o que deseja: se atingir, apaziguar, afagar ou elucidar. Vem disfarçada de ironia ou revestida de falsa simpatia. Destituída de encanto ou denunciando as intenções, não mede conseqüências...”escolhe” ao léu. A palavra sentencia, absolve, hipnotiza, aflige, responsabiliza, cobra, acalma, derruba, pactua, entontece, inebria.
Se a palavra convoca o diálogo, pede resposta e está presente para esclarecer, tem o valor da comunicação necessária. Mas se rude ou punitiva, afasta a chance do entendimento. Pode ser clara e cristalina, musical, serena ou usar o tom ameaçador e estratégico. A palavra não respeita tempo nem apaga seu efeito, devastador ou carinhoso. Está aí seu poder: na ambivalência de uma dialética assustadora, na sua causa e efeito. Por isso traiçoeira ou amigável. Unindo ou afastando. Bem vinda ou detestável.
Se a palavra, antes de escorrer frouxa e inconseqüente pelos lábios, fosse pensada...talvez modificada...ou silenciada...que bom seria!

♥ Denise

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