“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


21 de abr de 2013

Não é caso de procurar uma vaga maior...




Dia desses recebi de uma pessoa que me conhece razoavelmente bem, e sabe que estou vivendo  uma fase que tem a ver com o assunto, a dica para ler uma crônica da Martha Medeiros, Admitir o Fracasso

- Tá, rosnei pro texto, me conte alguma novidade!! Mas, o bichinho da inquietação me fez voltar lá e reler, eu sabia que precisava fazer meus paralelos e organizar meus sentimentos, e essa podia sim, ser uma maneira eficaz. 
- Hummm, pensei na terceira vez que li, já mergulhada em meus sentimentos para atender à necessidade real de elaborar algumas perdas recentes; é mais do que aceitar as coisas que não servem, não se ajustam mais - e também não se trata de simplesmente desistir quando as tentativas apontam para...o fracasso. E no fim do túnel não tem a tal luz? Vale a pena tentar outra vez, e mais uma... eu, antes de jogar a toalha, prefiro esgotar as possibilidades.

- Ok, e de que se trata, então?

A pergunta fervilhou por vários instantes, deu voltas e retornou sem resposta pronta, que pudesse ser aceita "pra tudo", afinal, não estamos tratando de coisas corriqueiras, mas dos meus sentimentos, ora bolas!

Investigo melhor o que me cabe neste momento de reflexão, focando no que tem sido difícil digerir,  aceitar, etc e tal. É claro que sei que a ideia principal do texto é aquela velha história da viagem num trem, que por algumas estações da vida algumas pessoas que se tornam caras pra gente permanecem conosco, no mesmo vagão, indo para a mesma direção. Em algumas paradas, há quem desça, outros chegam. E muitos seguem no mesmo trem, só que em outro vagão. Uma metáfora perfeita, que à contra gosto, provavelmente ilustre os fatos. Mas, não está em mim aceitar sem discutir (tenho que rir de mim mesma) então me ponho a pensar...

- Por que é difícil soltar, deixar ir, sem maiores (des)considerações?

Sabemos que cada um constrói suas expectativas em torno das relações e pessoas, e suas crenças e desejos definem essas relações - e aí vem o nó, porque ficam grudados em mim os momentos de felicidade, as coisas vividas, as palavras ditas, os presentes escolhidos com tanto capricho, as pequenas atenções, os telefonemas e mensagens, as viagens, as crises de riso, o choro silencioso compartilhado, os gestos sem preço que tornam essas relações especiais - e as pessoas, indispensáveis em minha vida. No entanto, estes são os meus valores, a minha maneira de viver e sentir a vida, os amigos, aqueles que fazem parte da minha viagem - e resisto em deixa-los descer do meu vagão, e não porque essa relação não pode fracassar, mas porque o que fracassa é o que nutria essa relação, o desejo sincero de que uma palavra atravessada, um esquecimento, qualquer coisa sem a intenção de ferir o outro, possa roubar a beleza do que sempre foi mais importante que tudo. Fracassa o sonho de ter por perto um afeto importante. O perda do sentido daquela relação, empobrece a existência. Dói aceitar, porque eqüivale a despedir-se de alguma parte (boa) de si mesmo...

Como dar adeus pra quem é importante pra gente? Como deixar ir, assim, sem lutar pra reverter o afastamento que machuca? Não sinto inveja de quem se resolve bem, areja o sótão depois da faxina que depositou muita coisa que já foi importante, no lixo abarrotado de fracassos reconhecidos. Em mim fica o esvaziamento do sentido das coisas que foram sendo divididas. Mesmo para sair do sofrimento, eu tenho dificuldade nessa empreitada de admitir alguns fracassos - já outros, são lições que ficam para sempre, sendo o amparo necessário à continuidade da própria vida.

Isso me faz lembrar da metáfora do soltar a panela quente... conhece?

Em nome de que ficamos segurando a panela quente??? Eu não quero procurar uma vaga maior, por hora só quero que caibam meus sentimentos neste desabafo em forma de crônica...rs

16 comentários:

Tulipa Vermelha disse...

acho que são sentimentos totalmente universais. somos todos inseguros e dependentes e tem que ser, ninguém vive sozinho. patologia é a dependência que não deixa a pessoa evoluir o que não é o teu caso.vc tem apego, amor, sentimentos profundos. toda a pessoa sensível sofre mais, este é o preço. pequeno considerando toda a grandeza que mora no teu coração. bjs

http://eubipolarbuscandoapaz.blogspot.com.br/

pensandoemfamilia disse...

Entendo quando fala da dificuldade de aceitar que houve um término. É dificil para nós encararmos a perda,a descontinuidade. Fica o sentimento do vazio.
Penso que a nossa dificuldade humana é aceitar a finitude e o nosso desamparo. Lutamos contra essas duas realidades e sofremos.
bjs

Milene Lima disse...

A impressão (legítima) de quem te lê é de que se trata de uma mulher cujos sentimentos e emoções a todo instante a despertam. Feito dissessem: "mas o que faz aí sentada choramingando? Vamos lá, reaja!"... E mesmo achando que certas coisas são difíceis pra dedéu, ela reage e caminha em direção a tal luz, lá no fim, distante mas não impossível.

Errei muito?

Beijo, pessoa cronista.

Beth/Lilás disse...

Olá, Denise!
Seu texto vem ao encontro do que sinto e penso também, pois temos esse direito mais que tudo, de desabafar nossos sentimentos, nossas necessidades e, de repente, quem sabe, somente isso.
À propósito, tenho lá no meu post último, um texto da gloriosa Martha Medeiros.
beijos cariocas

Denise disse...

Ah, minha amiga Jeanne, o patológico passa longe deste meu sentir, com certeza, mas a evolução tem-me custado bastante, não te engane amigaúcha...

TRalvez eu tenha dado uma impressão mais forte que te levou ao pensamento da dependência...absolutamente se trata disso, esta questão (outras, quem sabe...rsrss).
O desabafo é por conta de uma situação específica, uma circunstância que envolve o distanciamento do que a gente supõe eterno quando se afeiçoa muito a um(a) amigo(a),.. veja, me referi ao sentimento que envolve a relação, pq na minha reflexão, o que fracassa é isso... o gosto ruim é o de haver-se com o que não existe pra vc - sejam quais forem os critérios do outro para mudar de vagão, o vazio naquele banco é um lugar que nenhum outro preenche...a perda é daquele afeto, daquela pessoa insubstituível...enfim...é por aí...

Beijos, flor!

Denise disse...

Oi, Norma...é, os laços que unem as pessoas, prendem o coração da gente...acho que é por isso que reluto...pq envolve todos os pensamentos possíveis, os comportamnetos que desagradam, as decepções que possam acontecer, mas o que importa mesmo (pra mim), são os sentimentos...estes ficam e manobra nenhuma adianta para que desapareçam...o tempo...???

Que seja...
Bjos, boa semana!

Denise disse...

rsrsrs...errou não, Mi_amada...
Eu bato pé... me faço de forte... encaro... sofro... e sigo adiante... nào conheço outro jeito de viver, moça querida, que não o caminho do meio, aquele que reservo para equilibrar o que é com o que eu gostaria que fosse...sabe como??...rsrrss

Bjos, minha cronista preferida!

Denise disse...

Oi Bethy, voui lá espiar, sou fãzona dessa danada dessa gaúcha... ;) ... (tem dias que eu penso: não é possível, ela instalou uma câmera por aqui...rsrsrs)

Aproveito assim pra ir retomando aos poucos a visita aos blogues amigos!
Bjos, boa semana!

Fabio Fernandes disse...

Olá, Denise!
O que vai mudar o impacto causado pelos traumas deixados em nossas vidas é a ATITUDE de querer mudar!
Atitude sempre foi maior que o fracasso, o talento, a habilidade e circunstâncias!
Atitude tem o poder de “construir e destruir”! De “tirar e colocar”.
É como uma construtora que usa maquinários gigantescos, explosivos de alta potência para demolir uma construção antiga e fazer uma nova construção. Abraço! www.beabadosucesso.com.br

Denise disse...

Tuas observações fazem todo o sentido, Fabio.
No contexto da minha reflexão, talvez não buscasse soluções, apenas entendimento... uma clareza de como "funciono"... acho que trauma é uma expressão forte para a situação que me levou a algumas considerações... desejar o auto-conhecimento tb pode ser encarado como atitude, certo? ;)

Obrigada pela contribuição e visita!
Outro abraço!

Tais Luso disse...

Você sabe, Denise, que objetivo de uma psicoterapia não é tentarmos uma modificação, mudar de atitudes, ser mais isso e mais aquilo.

A tentativa é aceitar e conviver com o que somos.

Sabemos que após certa idade, já estamos formados. Podemos mudar um pouquinho aqui, ali... mas não a essência. E o difícil é cada um conviver com o que não consegue mudar; o difícil é nos aceitar. O resto, dá pra ir moldando, tentar não ser tão radical nas atitudes. Tentar não sofrer por certos abalos, diminuir um pouco as reações, minimizar os sofrimentos que estão aí pra todos. Quem disse que a vida é um mar de rosas errou feio!

Gostei dessa reflexão sua, você se mostrou gente, com fraquezas, com virtudes, com lutas. Mostrou a verdade. E é o que todos queremos.

Grande beijo, linda.

R. R. Barcellos disse...

Fracassar é uma contingência, não uma escolha. Desistir (ou persistir) é uma escolha voluntária.

"Se você precisa levar com urgência um comprimido a um doente distante e só dispõe de uma jamanta para o transporte, use-a com gratidão." (Giovanni Guareschi).

Sou um manobrista razoável.

Reserve no seu vagão um cantinho para mim.

Beijos.

Regina Rozenbaum disse...

Irmiga lindona!
É desse jeitim sem tirar nadica. Fico uma fera quando esfregam nas minhas fuças seja o conceito de resiliência ou o fato de ser psicóloga e ter de lidar lindamente com esses sentimentos... É difícil, é doído, é e mais montes de é... abrirmos mão, aceitarmos nossas perdas ou fracassos(?),limites etc e tal. É claro que seria muiiiito mais fácil se tivéssemos evoluido um tantão para a aceitação plena, geral e irrestrita. Enquanto caminhamos em direção a luz há esperança, né mesmo?!
Beijuuss amaaada

Denise disse...

Tais, todos sofremos com nossas limitações, faltas de habilidades que levam para resultados não planejados, decepções, frustrações, dificuldades de lidar com nossas questões pessoais, Sem exceção, somos aprendizes que enfrentam conseqüências, fracassos, insucessos, lições de toda natureza. E discordando um pouquinho de vc, acredito na mudança provocada por estas lições, pelo processo nem sempre fácil do auto-conhecimento. Penso tb que a essência é preservada, sendo justamente ela quem provoca as análises que levam ao desejo de mudança de tudo que cause dor, tristeza, culpa.

Aceitar-se passa por aprendizados anteriores, como do perdão, o auto grau de exigência, a flexibilidade, a quebra da rigidez.
Assunto pra uma meia dúzia de crônicas, né?...rs

Tua passagem por aqui sempre me alegra e contribui para aprofundar mais as ideias.
Obrigada por tua generosidade!
Abraço afetuoso, Tais!

Denise disse...

Tuas "entregas" Rodolfo, pontuais e preciosas, são imprescindíveis para a travessia nesta fase da existência. Teu lugar é de honra no mesmo vagão, mas a honra é minha!

Beijos, querido viajante!

Denise disse...

Pois é Rê...médicos não adoeceriam ou teriam a cura para todos os males, advogados não teriam problemas com a lei, nutricionistas não ganhariam peso, carpinteiros teriam casas bem planejadas... o que não dá pra negar é que a gente aprende com tudo aquilo que presencia nas dores alheias...e como dói não conseguir resolver as nossas, e muitas vezes, as alheias!

Sem tirar nem por, concordo com vc tb!!

Bjãozão, queridona!!