“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


23 de abr de 2013

Amor de avó é dobrado?




Uma sobrinha com seu filhinho de dois meses me perguntou, quando passou a tarde na casa da prima - minha filha: - tia, é verdade o que dizem sobre o amor de avó ser o dobro do amor de mãe?

O contexto era de duas jovens mães, seus bebês com quase a mesma idade,  fraldas, mamadas, choros, chocalhos e histórias sobre criar filhos.
Essa questão já é carta marcada nas rodas de conversa, sobre ser um amor "com açúcar", descompromissado com a parte difícil que é educar, corrigir, dar plantão diário na solução das necessidades de um filho. Eu respondi o de praxe: não é maior ou dobrado o amor, é diferente, e é doce sim, tanto que os netos são chamados "sobremesa da vida."

Ela foi embora mas sua pergunta ficou ali me rondando. Eu não tinha respondido o que meu coração sentia, porque até então, acho que não o tinha ouvido direito... e quando minha filha voltou ao assunto com um comentário "complementar", acendeu uma luz aqui dentro.
Esse amor tem uma aliança, uma poderosa forma de resgate. Os filhos crescem, batem asas, e, de longe sempre perto, acompanhamos seus voos. Mas é fato que a convivência escassa, que a companhia desses filhos viram visitas - quer deles em nossas casas, ou as nossas, mais raras, nas suas. Quando engravidam, já muda esse cenário, e nos seus planos, somos incluídas - ganhamos variadas atribuições, mas na real, somos seus portos seguros, a confiança jamais negada, o apoio irrestrito. Podem contar conosco, cada vez mais com as instruções de seus pediatras do que com nossas vivências, mas  confiam é na experiência que temos. Alguma coisa muito forte nos recomenda. Somos as pessoas para cujos braços passam seus tesouros com poucas recomendações e muita confiança.

O bebê que seguramos no colo enquanto preenchemos o coração de um amor que se derrama, é o elo que nos traz de volta, que nos insere no contexto familiar deles - com sorte, com o status de autoridade no assunto. Esse papel é quase um prêmio, uma condecoração, menção honrosa. E que isso não soe como sarcasmo, porque absolutamente não é! Os anos de dedicado amor à família são oferendas nossas, que não cabem em expectativas vãs de reconhecimento de coisa alguma - cá pra nós, é verdadeira a máxima de que um(a) filho(a) só entende o que significa um(a) pai/mãe, quando se torna um(a). Já comprovei quando engravidei e quando meus filhos tiveram os seus.

Enquanto vinha para casa, estes pensamentos ganharam forma e sentido, e tive que os colocar "no papel" para dar-lhes vida, reconhecimento e gratidão. Sou grata pelos elos de amor que teem resgatado o papel e a função de quem ama sem medida, na figura de avó - uma mãe apaixonada pelas sementes que gerou e hoje tem espalhados netos, brinquedos e vida na casa, e muito, muito amor no coração!

20 comentários:

Rose disse...

Com certeza! Avó ama o filho(a) e redobra esse amor com os netos, conheço isso bem de perto... Adorei te ler! Saudações do meu "Coração de fera e Transbordando meus lagares". Beijo e linda semana!

Fernanda Fernandes disse...

dorei seu blog...os assuntos e as ideías!!
bjs

Misturação - Ana Karla disse...

Quero sentir um dia, o prazer de ser vovó.
Denise você fez muito bem em escrever essas palavras. São sinceras e reflexivas.
E que avó mais linda é essa?

Estou feliz com sua visita ao Misturação.
Seja muito bem vinda.
Xeros

Suzy Rhoden disse...

Denise, que texto liiiiindo, difícil até de comentar de tão belo e profundo que é!

De fato, o amor verdadeiramente incondicional de mãe só vim a compreender quando assumi esse papel, embora o zelo de minha mãe por mim e meus irmãos mostrasse isso o tempo todo. Simplesmente não entendemos o alcance desse amor, até gerarmos nós mesmas as sementes que crescerão e darão frutos, multiplicando esse mesmo amor!

Ainda estou na fase das sementinhas, mas aguardo tranquila que chegue a época dos netos, quero poder sentir na pele tudo isso que você descreveu com perfeição aqui. Quero reviver o encanto de ser mãe, sendo avó.

Obrigada pelo post, foi magnífico! Beijos pra você.

Milene Lima disse...

Adorei isso de "sobremesa da vida". Denominação mais bacaninha, né? Netos devem ser mesmo adoráveis. Meu pai era o maior estragador deles.

E você é uma boniteza de amor quando fala dos seus... Sem ver, sinto o brilho dos seus olhos.

Beijo, Dê.

Regina Rozenbaum disse...

E que beleza derramou no papel Dê!!! Emocionei-me com sua declaração...filhos, genro e nora já leram? Apesar que,penso eu, nem carecem. Vivenciam diariamente esse AMORZÃO babado de baum! Tô te esperando lá no Divã...sei que vc nos ajudará de alguma maneira.
Beijuuss irmiga_maaada

R. R. Barcellos disse...

Não adianta explicar, Denise. É um sentimento que precisa ser vivenciado. Só quem é avô ou avó tem a noção do poder aglutinante que os netos têm sobre as famílias. Enquanto as demais relações acontecem basicamente de pessoa para pessoa, essa abrange a família como um todo, irradiando-se de uma pessoinha que não tem a menor noção de seu próprio poder.
É, explicar não adianta... mas mesmo assim nunca ouvi uma explicação tão perfeita como a sua.
Beijos, querida vovó-poesia...

Denise disse...

Oi Rose, seja bem vinda ao meu Tecer, sinta-se acolhida com alegria. Retribuindo tua visita, pude sentir um pouquinho de vc, gostei muito de teu transbordando seus lagares...já fiquei por lá...rs

Amor multiplicado e delicioso de sentir/vivenciar, né?
Bjos, de vó pra vó!

Denise disse...

Oi Fernanda, que bom que curtiu, venha sempre que quiser, é gostoso receber visitas!

Bjos

Denise disse...

Obrigada Ana Karla, pela acolhida e gentileza... vc saberá, com certeza, das delícias que o amor de avó nos proporciona. Ainda descerá essas ladeiras catando os pequenos arteiros...rsrrs

Adorei conhecer tuas cidades, natal e residência, e teu cantinho agradável tb me cativou, que bom expandir as relações aqui neste meio em que os amigos se reconhecem e se "misturam" com respeito, carinho e afeto.
Bem-vinda tb!
Bjos!

Denise disse...

Eu penso assim tb, Suzy, só quem vive sabe, é capaz de se aproximar do que significa, do quanto nossas vidas se comprometem com a família e novos sonhos determinam o envolvimento e parceria...se vc soubesse o quanto meu coração se contrai de felicidade quando meu neto deixa de olhar pra tantas informações musicais, coloridas e chamativas, pra ficar com aqueles olhões lindos grudados em mim...e quando ele suspira e sorri quando falo com ele, parece que vai explodir alguma represa lá dentro e vou me derramar todinha, feliz da vida!!!

Obrigada por ler-me com olhos generosos!
Bjos, bom fds pra vc e tua turminha linda!!

Denise disse...

Teu avô, Mi, devia ser um sujeito adorado pelos netos "estragados"...rs...eu faço a minha parte, e como vc bem sabe, os raios de sol da minha vida iluminam meu viver!!!

E tu, suaviza meus sentires...rsrs
Bjoca, Mi_nha querida!

Denise disse...

A filha leu, Rê... tá aqui comigo, com nosso lindinho...
O amor não cabe dentro da gente, então se derrama, mas nunca se perde!!!

Eu vou lá no Divã...peraí, queridona, que um pedido teu é ordem pra mim... ;)

Bjãzão, amada!

Denise disse...

É Rodolfo, como um serzinho tão indefeso pode ter tamanha força, né? Um elo providencial, uma corrente de amor que não se descreve, que palavras não dão conta de dizer sua imensidão - mas que que precisa ser dito, mostrado, pq só vivenciado parece um egoísmo da gente...rs

Adorei tuas observações, como sempre, reflexo de teu enorme coração!

Bjos, querido!

Sueli Gallacci - artista plástica disse...

Denise!

Que linda e sensível essa crônica! Penso da mesma forma.

Logo que meu netinho Rafael nasceu, minha filha me disse: 'Agora sei das coisas que vc me dizia. Mais do que entendê-las, estou vivendo. Impressionante como isso refinou os meus valores'
Depois ela me agradeceu e óbvio, me arrancou lágrimas... De emoção, de alegria, de dever cumprido, de compensação, sei lá... tudo junto e misturado rsrs.

Digo que netos são poemas escritos na alma da gente.. E ser avó é como estar em dois paraísos ao mesmo tempo. Não apenas sofrendo com os costumeiros medos que nos rodeiam, mas também regozijando de satisfação e encantamento...

Parabéns pelo texto! Nunca li nada tão belo e verdadeiro sobre o tema!... Me emocionei de verdade.

Bjobjo!

Denise disse...

Eu fiquei feliz, Sueli, por ter percebido o quanto os netos são maestros nessa sinfonia da vida madura... e o quanto de sentido e beleza suas vidas trazem às nossas. O encanto natural que me causam não é mais novidade, mas a degustação de meus dias, que bom que as emoções são intermináveis!!

Obrigada pela tua presença e comentário tão bonito, eu acho que tudo que nos toca, é parte de nós mesmos, quem sabe adormecida. Tudo fica meio misturado em se tratando de amor, família, dever cumprido e tudo mais, e adoro esse mix...rsrsrs

Beijos, bom domingo!!

Luma Rosa disse...

Oi, Denise!
Ainda não tive o prazer de ser avó e parece que isso vai demorar por aqui! :)
Acho que depois de ser mãe, ser avó é também o sonho de toda mulher. Não somente a mulher, vejo muitos avôs orgulhosos de seus netinhos. A diferença está na conduta, é que com os netos se tem mais paciência, pois não cobramos de nós sermos a "super-mãe".
Gostei de ler o seu testemunho e noutro blogue, de um biólogo americano, ele escreveu sobre como a genética propicia a nossa eternidade. Quem tem neto, tem garantida sua eternidade e, se esses netos tiverem filhos, a eternidade é fortalecida. Então, vamos fazer essa moçada dar muitos netos pra nós? (rs*)
Boa semana!!
Beijus,

Denise disse...

Legal essa perspectiva da eternidade, acho que não me ocorreu antes com essa clareza, embora a continuidade fique implícita em cada um daqueles rostinhos amados... é bom ver nossas sementes dando frutos tão lindos, vc ainda vai viver isso e comprovar a delícia de ser avó.

Em tempo: sim, sim, os homens tb mergulham nesse papel, os vovôs de meus/nossos netos babam na gravata...rolam no chão e chutam bola como guris!!...rsrsrs

Beijos, Luma, ótima semana pra ti!

Toninho disse...

Um instante de reflexão e conclusão deste amor ilimitado que faz a relação.Posso imaginar que vovó seja voce Denise e que esta relação seja cada vez mais linda.
Um abração carihoso amiga. Depois de uma parada forçada estou de volta para esta grande familia nossa.
Uma linda semana e grato pelo carinho e atenção.

Denise disse...

Piis é, Toninho, senti tua falta, que bom que está de volta!
Obrigada pelo carinho, de fato eu me empenho em ser uma avó legal, antenada, contadora de histórias e arteira...rsrs

Boa semana!
Abraços!