“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


23 de abr de 2010

Esculachos


Hoje é dia dela, essa gaúcha que admiro muito. Na véspera do fim de semana, Martha Medeiros nos brinda com este texto que trouxe porque serviu pra mim, blogueira sem nenhuma pretensão literária. E talvez seja também o seu caso. Se for, compartilho estas ponderações interessantes, elucidativas. Boa leitura!

Esculachos

Cássio, Cássio, como te agradecer? Explico. O Cássio é um leitor que desancou o último post que publiquei aqui no blog, e com toda razão. Estava mesmo uma porcaria, tanto que tirei do ar. A única frase que eu gostei era uma brincadeira duvidosa tipo "Salve Tiradentes, mas mártir mesmo é quem tem cárie", isso porque tenho pavor de ir ao dentista, e olha que meu dentista é o homem que mais confio no mundo, meu pai. Mas isso é outra história. A verdade é que eu havia escrito aquela bobajada percebendo que era uma bobajada, e como não publiquei em jornal algum, acabei colocando no blog, já que o tenho atualizado pouco. Um erro! Blog não é lixeira. Portanto, me desculpem os leitores que tiveram o desprazer de ler aquele texto descuidado. Se você não chegou a ler, sorte sua. E minha.

Quando participo de bate-papos em escolas e feiras de livro, as pessoas me perguntam sobre como recebo as críticas. Tiro de letra? Fico com ódio? Entro em depressão? Bom, não é uma coisa legal, óbvio. A gente se expõe muito quando escreve, e naturalmente que desejamos um feedback amoroso, a não ser que se seja um polemista nato, mas creio que até estes gostam de uns afagos. Quem não gosta? Mas não adianta, faz parte do pacote ser retalhado de vez em quando.

No começo da carreira eu me incomodava mais. Ficava mal quando alguém me detonava, eu levava a sério os esculachos que recebia. É estranha essa mania que temos de nos deixar atingir mais pelas críticas negativas do que pelas positivas. A gente pode receber 100 elogios num dia, aí vem alguém, te ofende, e você quase cai de cama. Vale pra qualquer pessoa, em qualquer situação, mesmo as mais corriqueiras. Você chega num lugar e todo mundo comenta como você está bonita, aí um amigo muito "sincero" diz que seu novo corte de cabelo ficou um desastre e pronto, fim de festa. Às vezes me pergunto se não faz parte da natureza humana essa sensação interna de sermos um blefe, por isso a valorização da crítica: é como se alguém tivesse arrancado a nossa máscara. Será?

Não sei. Tem gente com a auto-estima bem resolvida que não dá a mínima para os desaforos que recebe. Mas não é a maioria. Já conversei com muita gente graúda sobre essa questão, gente com reconhecimento nacional, tarimbadíssimos, e praticamente todos dizem a mesma coisa: é muito desagradável ser espinafrado publicamente. Só que a gente acostuma, e o que nos aborrecia por uma tarde inteira, agora aborrece por 10 segundos.

Eu fico chateada mesmo é quando quem me criticou tem razão. Chateada comigo! Se acuso o golpe, é porque realmente poderia ter feito melhor. Mas quando é apenas grosseria, molecagem, simplesmente deleto e só lamento o fato de existir tanto espírito de porco solto por aí. E há os casos divertidos, como aqueles "inimigos íntimos" que te detonam com uma regularidade espantosa, dando a maior bandeira de que são teus leitores fiéis. Fico pensando que devem estar desempregados ou sem namorado(a) para ter tanto tempo sobrando para ler o que não gostam. Eu, ao menos, não homenageio os autores que não me interessam. O contrário do amor não é o ódio, e sim a indiferença. Quem "odeia" está mais envolvido do que supõe...

A crítica do Cássio foi quase elogiosa. Depois de dizer que o meu texto estava ruim de doer, perguntou: "Foi algum estagiário que escreveu?". Humm, tem um carinho subliminar aí. Ele mal acreditou que pudesse ser eu...

Enfim, não tenho do que reclamar. Recebo uma enxurrada de afeto, até porque quem visita meu blog sabe que vai encontrar apenas conversa fiada, posts que são escritos de qualquer jeito, como se fossem e-mails. Não estou aqui trabalhando, fazendo literatura ou o que for, e sim mantendo um contato mais íntimo com quem curte meu trabalho, falando informalmente sobre livros, filmes, divulgando minha agenda, ou simplesmente trocando ideias, como agora. Mas vez que outra, acontece de eu deixar textos prontos, e foi o que aconteceu nesse último feriado de Tiradentes. No final das contas, valeu como lição e me deu assunto.

Hoje à noite vou assistir o espetáculo Quidam, do Cirque du Soleil, estou na maior expectativa, acho que vai ser bárbaro. Depois comento com vocês.

Beijão, bom final de semana!

10 comentários:

Cida disse...

Amei Denise!

Mas será que o tal texto da Martha estava tão ruizinho mesmo?
Difícil acreditar!...rs

Um ótimo fds prá você amiga.

Beijão

Cid@

Denise disse...

Difícil mesmo, mas eu adorei a maneira como ela tratou o caso, e como ela ampliou o tema, e me identifiquei pq penso como ela, trouxe para dividir com meus amigos.
Recebo atualização do blog oficial dela, e dá vontade de postar tudo aqui...rs

Ótimo findi pra vc tb, amiga.
Bjos

Socorro Noronha disse...

Conhece seu blog hj, e estou incrivelmente identificada com ele, vc é de uma sinceridade e de uma leveza formidável! bjos.

Denise disse...

A vida vai lapidando a gente, não é assim Socorro? de pedras brutas, passamos a pedras polidas - rolando e atritando-se pelo caminho, despencando de penhascos, pisadas de sol a sol, tb nos banhamos nos regatos e nascentes límpidas. Somos diamantes em potencial, todos somos.
Mas algumas qualidades vão surgindo quando os defeitos começam a amarelar junto com a certidão de nascimento...rs...é quando montamos um kit básico de sobrevivência...reunimos o que precisamos mais, como gentileza, afeição, delicadeza, tolerância. Ficamos "melhores" na medida em que enfrentamos nossos "demônios interiores", quando entendemos que temos recursos internos que nos favorecem (e os usamos!), e que está em nossas mãos trocar as dores pela paz.

Que bom que o conteúdo do blog pode mostrar a vc as identificações que percebeu. É legal a gente conhecer-se bem, não é mesmo?

Espero vê-la sempre por aqui, então.
Boa semana!
Bjo

Julio Cesar disse...

Oi Denise...nossa! dificil mesmo pensar em uma escorregada da Marta...bem..enfim...
Como ela mesmo disse, o que vale é o fim. E no fim, tudo foi propicio, deu assunto, fê-la aprender além de esclarecer aos desavisados sobre odio e amor.

Para nós foi ótimo, em acompanhar sabias palavras, por outra sabia atenta como você, pronta a transcrever para nós. Obrigado Denise.

E é assim mesmo, vamos nos lapidando... não estamos prontos, nunca... triste de quem espera isso de alguém. Eu mesmo já me vi em pressão para querer estar 'pronto' para o outro...que erro...meu e do outro.

Hoje joga as claras mesmo... e não foi diferente no ultimo relacionamento. Muitas vezes queremos forçar o que não dá..e como dissestes no post de outro dia, as vezes o que é bom vem na contra-mão (da nossa percepção, porque nós é que estamos no sentido oposto).
Sem lastimar...é ser mais você mesmo, aceitar crítica não é demérito, é maturidade (e mais ainda se promover o crescimento).

Denise...nunca tomei tanto suco!
Ruim?...não.

Julio

Denise disse...

A ansiedade estraga tudo mesmo...o ideal seria lembrarmos que relacionamentos não são pré- requisitos nem condição básica pra gente ser feliz. Mas é claro que estar a dois nessa vida é muito, muito bom...isso não se discute...

Agora...deixa te contar que essa tua me arrancou uma gargalhada alta...rsrsrs..."Denise...nunca tomei tanto suco!"..pois tb eu nunca fiz tanto suco...rsrsrsrs
Ruim?...não!

*PS. Não consigo imaginá-la escrevendo uma "bobajada" tb, mas convém lembrar que estamos falando de um ser falível como nós, apesar da habilidade indiscutível que ela tem!

Julio Cesar disse...

É verdade...todos somos falíveis. É que 'cremos' que 'essas pessoas' possuem um afinamento quanto a autocrítica maior que a nossa o que de fato culmina com produções com maior mérito. Mas...
(...)
Eu agora é que estou rindo imaginando você lendo e rindo...
Muito bom isso...seria bom ser possível sempre...permitir ao outro um momento assim sem que seja de fato uma piada. Acho que promover a alegria do outro (e estar alegre também, claro!)é algo impagável... puxa, sem ser simplista, ganhei o dia hoje ouvindo isso de ti.

Sou muito feliz hoje. Mas também quero que fique 'muito bom'.rs

Denise disse...

Promover a alegria no outro acaba sendo uma atitude um pouco "egoísta"...já 'reparou' como a gente sempre fica com um pouco dessa sensação, mais a satisfação por haver causado no outro sentimento - ou emoção - de boa natureza??

Viajei...vou encher a jarra, péra!...rsrs

Bjos e o desejo (sem egoísmo) de um lindo fim de semana, cheinho de alegria!!

Julio Cesar disse...

hum...
...se eu estou sentado aqui a mesa com voce...(ou a beira da praia como no post acima) e faço ou digo algo que lhe promove um estado 'feliz'... sem duvida, isso irá me preencher também, e não será um pouco da sensação, porque a sensação de ver quem gostamos bem é sempre de igual intensidade...
ãã...(veja bem...sou o aprendiz aqui...) não seria o egoismo um afeto voltado para si mesmo, um ato em potencial que tem como fim apenas a satisfação do agente emissor?
porque o amor, saudavel deve ser altruista também... e penso que promover a alegria do outro é uma manifestação dessas... falhos, não nos podemos nos eximar, ok, de em alguma instancia isso ser também um reforçador positivo, já que se fazemos, fazemos e alguem não responde, isso extingue o comportamento. Mas...no amor, rompe-se algumas teses, não? (ou criam-se outras!rs...).
olha..ja que voltou com a jarra cheia...sabe, Denise, ver-te que sorriu foi bom... a sensação foi boa e isso também me pegou de surpresa quando li. Faria e farei quantas vezes me couber, mesmo que essa sensação não se repita, porque ti é a própria interpretação da felicidade, oras, não preciso eu senti-la (o que foi bom acontecer). É incondicional...
Assim como vejo o teu prazer em prover suco para meu copo... caramba... preciso encontrar essa taverna em outra dimensão!

Obrigado pelo desejo...e pelos votos de alegria. Certa sempre que sorrindo.
bjs querida
boa janta...o horario se aproxima...rs..ótima quinta para voce.

Denise disse...

"...não seria o egoismo um afeto voltado para si mesmo, um ato em potencial que tem como fim apenas a satisfação do agente emissor?"

Julio, pode o egoísmo ter essa singularidade que expôs, mas eu me referi ao fato de que fica sempre um pouco de perfume nas mãos de quem oferece rosas, ou seja, promovendo meios de levar alegria ao outro, acabamos ficando com um pouco dessa sensação "provocada" (aí entra o "egoísmo" que não é ruim), acrescida da satisfação de haver causado no outro um bom sentimento...mas foi subjetiva a viagem...rs...eu avisei...rs

Quanto aos reforçadores e extinção de comportamento...no amor e na vida rompemos algumas dessas teses, portanto, teorizar sentimentos pode, na minha opinião, trazer dois prejuízos, no mínimo...rs...de tempo e de viver o sentimento. Concorda?

Bjos...vou para o próximo coment...rs