“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


19 de dez de 2009

Chuva de sentimentos























Era fim de um ano diferente, novo. A primavera se preparava para deixar o cenário sem recolher as flores ou impedir o perfume de se espalhar pelo ar - como agora. A quentura do verão que anunciava sua chegada viria desnudar sentimentos recolhidos, aquecendo a alma reclusa pelo inverno da vida, depois de esparramar as folhas outonais pelo chão da existência que perdera - por algum desavisado instante - o brilho das manhãs ensolaradas.
O tempo, sábio, trouxe abundância de delicadas gotas de amor caindo sobre os corações que já lhe pressentiram a chegada na estação da vida, tanto que se aprontaram, risonhos, para colher os suaves pingos que espargiam o tom rosado próprio do amor.
Segue a viagem do tempo que desenrola a história por novas estações, novo chão e nova vida. Apesar da proporção desse amor, nem tudo aconteceu como quiseram os corações e sonharam as almas neste encontro que atualizou suas agendas, e pelos cantos da casa interior que abrigou o amor, ficou a tristeza escondida - no peito revolvida - junto da finitude não planejada. Houveram períodos difíceis em que muitos sorrisos morreram na lágrima que não teve vergonha de se mostrar, e do silêncio e distância do isolamento voluntário. Muitas vezes as vozes reeditaram os mesmos textos, e as bocas que calaram, clamaram, beijaram, por fim, disseram adeus.
Perto do inicio da festa de cores e cheiros, na proximidade do começo da estação dessa história, tempo literalmente marcado pela chegada e pela partida, fez frio dentro das almas outrora encantadas, embora ainda enamoradas. Em mim e em ti desceu o manto da noite que (ainda) não conseguiu extinguir o clarão da chuva de amor...
O tempo se encarregará de trazer de volta a mesma luz do sol que aqueceu os abraços, as mãos entrelaçadas e o brilho do mel nos olhos (tão iguais). Este é o mesmo tempo curativo que vai resgatar a essência que lhes habita, reeditando o sentimento que abraçará as boas lembranças – que são tantas - numa sublime combinação de saudade e amor bonito. Porque todo amor é bonito, mesmo aquele que finge que já morreu...

"Somos o mundo inteiro no pequeno espaço
da história que nos permitimos criar."
Pde. Fábio de Melo

Nenhum comentário: