“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


13 de mar de 2011

Dizemos sim quando dizemos não!



Até quando dizemos “não”, estamos dizendo “sim”, já percebeu?

Hoje, pensando sobre um sim e um não que foram ditos, uma pergunta invadiu minha cabeça e mexeu com meus sentidos: Dizendo não, para o que você está dizendo sim? A mente matutina, ainda clara pela ausência de tantos chamamentos diários, recostou-se sobre essa questão, e, com assombro percebeu sua obviedade tão bem guardada pela astuciosa razão, do campo da emoção.

Muitas vezes, dizendo não, estamos assentindo aos nossos medos, às limitações, ao orgulho ferido, estamos dizendo sim para a inflexibilidade – mesmo que nos quebre ao meio, que brilhe na escuridão de nossos desertos o medo mais profundo, e a incompetência de lidar com essas sinistras sensações sejam açoites à alma já dolorida. Nossos sentidos de defesa, fechados ao conhecido, impedem que outras possibilidades, que podem ser infinitamente positivas, entrem – só há espaço para os gritos de alerta!

Dizemos não para a aceitação de nossas responsabilidades diante dessas emoções, preferindo transferir para outros ombros o ônus de nossos pecados, que, uma vez transformados em devedores, vemos como inimigos mortais – não identificamos os carrascos no espelho.

Dizer sim para o desconhecido é abrir brecha para o inusitado que vai chegar, mas, temerosos desse inexplicável fantasma, baixamos os olhos – em vez da guarda – e o horizonte se resume ao chão que pisamos, seguros. Parece mais fácil dizer sim para a fraqueza que evita entrar em contato com as sombras que teimam em mostrar nosso lado claro, límpido, mensageiro de luz e amor – mostrando acovardamento diante de uma opção que pode mudar vidas. Não são meras escolhas, são escolhas feitas no calabouço de nossa alma adormecida, porque se estivesse desperta, veria borboletas onde a maioria de nós tenderia a olhar para o caos.

Aparentemente incompetentes diante de uma encruzilhada decisiva, ou por estarmos blindados no medo que antecipa uma dor já conhecida, não parece-nos ter suficiente confiabilidade interna para lidar com essas questões. Neste instante, estamos dizendo sim para o medo, ao negamos a nós mesmos alguma outra possibilidade. Ficamos incapazes de ver mudanças preciosas, porque dizer sim para as nossas cicatrizes equivale a manter nossos desafetos, algozes de nossa má sorte, responsáveis pelas nossas desventuras.

Talvez fosse bom repensarmos para onde nossos “nãos” estão nos conduzindo, e olhar à volta para perceber o que floresce e desabrocha, se um não nos afasta ou nos aproxima daquilo que mais desejamos na vida – lembrando que quando dizemos sim, é inversamente verdadeiro, estamos dizendo não para alguma coisa. Dizer um sim, o que poderia significar para você?

Acho que vale (re)pensar com amor, e por amor a nós mesmos.


Agora posto o Poema que fiz, e que me levou a construir esta reflexão:


MINHA SÍNTESE

Um dia, um prazo
que soou como uma promessa
a desabrochar como uma flor
- o sim que consente a entrada,
que acolhe e alimenta o amor!
Prazo que um dia uniu
noutro, se esgota
e com uma braçada de flores
- vermelhas
se despede,
como a paixão que floriu
no ritmo de um salão hoje vazio!

Denise Araujo


O vídeo complementa a reflexão.
Boa viagem pra dentro de Si!





12 comentários:

Cristina disse...

Denise
Como é complicado isso. Muitas vezes dizemos sim querendo dizer não e vice versa. Essas duas palavras podem mudar tanto nossos destinos quando temos que decidir em ir em frente ou recuar por conta de nossos receios perante a vida. Como sempre vc me faz refletir e escreve muito bem, gosto muito de seus textos. Uma boa semana cheia de muita paz e luz! Bjssssssssss

Maria José disse...

Denise. Altamente reflexivo. Preciso reler para comentar. Beijos.

Regina Rozenbaum disse...

Dê, achei difícil a leitura...talvez pela intensidade das palavras, punjância de emoções a cada linha e entrelinha...Me lembrei de Miller:
"Avançar é seguir girando ao redor do impossível de dizer, seguir tentando cercá-lo ainda que se saiba, que a própria eleição de perspectiva que se toma, implica uma perda a respeito do que se trata de demonstrar!
(Jacques-Alain Miller)
Quando um não quer, dois não brigam e é sim, né mesmo?
Beijuuss n.c.

Tais Luso disse...

Oi, Denise:

Já formei, há muito, um conceito do NÃO e do SIM; na atitude sim e na atitude não. Estas palavras têm força na vida de todos, podem ser construtivas e destrutivas, vai da vontade daquele que recebe. Elas, quase sempre, se relacionam à atitudes que devemos ter, ditas ou aconselhadas por terceiros.

A palavra 'NÃO' deveria fazer parte do compêndio médico, é um santo remédio, cura vários males, indo da enxaqueca a outras doenças psicossomáticas. Mas ninguém lê bula, ninguém lê os efeitos colaterais e a posologia (de como usar o 'NÃO'). A insistência irrita.

É ótimo exercitar a palavra 'não': não quero, não vou, não gosto, não faço... Mas já notei que dizer 'não', para certas pessoas, dá muita mão de obra; então vai um 'SIM' que dá menos trabalho. Só temos facilidade em usar o 'não' na adolescência e na velhice: o primeiro porque é rebelde, e não tá nem aí; o outro porque 'ralou' muito e já tem 'direitos adquiridos'.

Impor idéias é uma ação extremamente irritante. Quantas vezes por semana enfrentamos alguém ou forjamos uma desculpa pra cair fora? Quantas vezes nos falam nas coisas mais esdrúxulas como se fossem certas? Vejo pessoas - que por influência de terceiros - vendem suas casas, fazem a faculdade errada, acabam com seus relacionamentos, compram o carro errado, mudam de cidade, comem o que não podem, bebem o que não devem...

Respeitar a vontade das pessoas, dar-lhes espaço, é preservar o relacionamento; mas a gente só respeita o que está ainda longe - quanto maior é a proximidade, menor é a nossa privacidade.

Beijo grande, meu carinho pra você.
Tais Luso

manuel marques disse...

Sim e não são as palavras mais fáceis de serem pronunciadas e também as que exigem maior reflexão.

Beijo minha querida.

Cacá - José Cláudio disse...

Oi, Denise! Tinha uma amiga psicanalista que sempre começava as conversas sobre essas "responsabilidades" de cada um com relação à assumir a própria vida com todas as alegrais, tristezas, forças e fraquezas com uma piada, segundo ela, muito comum no meio psicanalítico: - ai, o paciente diz: ora, a culpa é minha, eu a coloco em quem eu quiser.rsrs

Isso se refere às transfeênciaa que fazemos, ao uso (consciente ou não) dos nosso eternos mecanismos de defesa.

Adorei este seu texto. Meu abraço. paz e bem.

Denise disse...

Oi Cristina, querida, teu incentivo é um carinho muito especial.

O texto é, na verdade, uma reflexão pessoal, que compartilhei pq entendo que todos fazemos o mesmo, poucos dando conta do que significa cada "sim" e cada "não" - incluindo (talvez deva dizer principalmente) os que não são verbalizados, mas estão implícitos nas escolhas feitas.
Quando dizemos, ou optamos, por um sim (ou por um não) querendo de fato o oposto, entendo que a situação fica ainda pior, pq significa ter consciência do querer, mas diz "não" pra ele!!

Uma boa semana pra vc tb, querida.
Bjos

Denise disse...

Maria José, parece que fui fundo mesmo...rs

Fique à vontade, reveja, repense, e se puder, contribua com tua reflexão - será muita rica, tenho certeza!
Beijos

Denise disse...

Rê, só sei fazer assim, profundo, pungente, intenso...rs

Acho que o que não foi dito, mas está implícito, visível, é o que de mais valor tem nesta reflexão...partindo do princípio de que cada um pensa e declina para sua própria conclusão, procurei preservar esta individualidade, para que cada um conceba sua verdade, externe suas ideias e decida se aprofunda ou não, sua própria reflexão...

O falar, aqui, é metáfora..."dizemos" sim ou não para nossas escolhas. Quando optamos, por exemplo, por aprender pelo método do São Tomé (ver pra crer), estamos dizendo não para as outras formas de enxergar as coisas, sentindo-as, expervivendo-as...é por aí, queridona...

Bjãozão!!

Denise disse...

Tais, tuas ponderações, tão ricas, são diferentes caminhos para entendermos os "sins" e os "nãos" que passamos a vida a pronunciar, a querer explicar...impor.
Concordo plenamente com tuas observações tão pertinentes acerca da postura daqueles que se julgam no poder de influenciar os outros, dar-lhes conselhos ou oferecer as suas verdades, como unicas.

São boas oportunidades para dizermos não às suas ideias - ficando com as nossas, dizemos sim para o que construímos de valores, ideias, pensamentos. Quando rejeitamos alguma coisa, na verdade, estamos dizendo sim para outra: outro conceito, outra ideia, outra opção, outro caminho...

Tua presença sempre contribuindo para aprofundar a reflexão, obrigada minha amiga, é uma alegria tua presença, sempre!

Um bjo, meu afeto e o desejo de uma ótima semana!

Denise disse...

Talvez, querido amigo Manuel, seja pelo fato de não se resumirem às palavras, mas por envolver os SIM e o NÃO na aplicação das nossas atitudes, escolhas - que são muito mais do que palavras, não é mesmo?

Um grande bjo!

Denise disse...

Pois é Cacá, já ouvi isso tb, o pior é que a piada se estende pra ação, realmente as atitudes se confundem nessa versão e encontramos culpados para carregar nossas responsabilidades...

Que legal vc ter gostado, a opção por compartilhar está no desejo de contribuir, de alguma forma, para ampliar nossas reflexões - deixando a cada um a completa liberdade para dizer sim para esta oportunidade, ou para dizer não, seja lá por quais razões tenha. É sempre bom encontrar ressonância entre os amigos.

Um grande abraço, uma ótima semana pra vc.
PAZ e BEM!