“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


2 de out de 2010

A perda da alma


Um dos gritos modernos mais importantes em favor do homem é o de Julia Kristeva, uma das mais brilhantes e respeitadas intelectuais da atualidade.

A psicanalista búlgara, professora da Sorbonne, constata que o homem moderno está perdendo a sua alma, mas não se dá conta disso.

A princípio, quem estiver lendo pode achar que essa perda é um desencontro com Deus, um abandono do espírito e horrorizar-se....

Não, nada a ver.

Não dizem que tal cantor fez o show com a alma? Que a atriz interpretou colocando sua alma no palco? Na nossa alma estão as emoções mais puras, a intuição, os sonhos, o Sentido (além dos sentidos), o talento virgem, a pujança dos sentimentos. A habilidade de amar, por exemplo, é um grande sinal anímico. Ou alguém é capaz de amar, de amar mesmo, sem que seja através da alma? Pode-se ter simpatia, carinho, atenção, atração física, até um certo envolvimento gostoso, mas amor é alma e fim de papo.

Mas por que essa fabulosa mulher clama que estamos perdendo a nossa alma? O faz através desta instigante questão: ‘‘Confrontada aos antidepressivos e ansiolíticos, à aeróbica, ao utilitarismo social, à Sociedade do Espetáculo, ao poderio econômico, ao massacre da mídia e à absoluta futilidade, a alma ainda existe ? ’’

Justamente na medida em que banalizamos essa vida a um ponto inacreditável, tornando-a um instrumento, um objeto, quase um eletrodoméstico que trabalha ininterruptamente em favor de um resultado ou daquilo que se espera dele por parte de quem o manuseia constantemente. Banalizar é colocar-se por inteiro no padrão externo, nada deixando resguardado. Gostaria muito que vocês se lembrassem deste apelo: não podemos passar a existência no desperdício único da prestação de serviços!

Como isso é sério gente! Fundamental para o resguardo da nossa alma é a consciência de que uma parte de nós não entra no mundo. Ou seja, há uma parte sua que não é casada com ninguém, que nunca teve filhos, que não é profissional de nada, brasileiro, paulista , membro desta ou daquela entidade. Uma parte saudavelmente intacta. Aí vive a nossa alma.

Fica então um pedido: Dê 80% de você para o mundo e para os outros, mas guarde 20%, por favor. É por esse percentual que circulam os seus sonhos, a chance de renovação, a transformação, a criatividade, a possibilidade de mudar, renovar, re-significar.

Mesmo que isso custe o chamado de ‘‘egoísta’’ por parte dos outros, ainda que todos os elogios que lhe façam estejam apenas nos 80%. Tenha a certeza de que os 20% guardados não farão a menor falta para os outros, mas, para você, são fundamentais. Para que não descubra tarde demais que nada fez por si mesmo, para o derramar-se no inédito e não cair na massificação total, no desconstruir-se em nome do nada, para ter o que entregar ao espírito, o correspondente da alma num outro plano, quando surgir a pergunta...

"O que fizeste por ti?”


Momento Espírita

8 comentários:

AC disse...

Denise, eis um tema interessantíssimo e premente, aquele que nos traz hoje.
Muito há a reflectir...

Um bom final de semana

Bloguinho da Zizi disse...

Denise
Antigamente usava-se dizer que "fulano vendeu a alma ao diabo".
E lendo este texto, vejo que o nome do diabo mudou para antidepressivos e ansiolíticos, à aeróbica, ao utilitarismo social, à Sociedade do Espetáculo, ao poderio econômico, ao massacre da mídia e à absoluta futilidade.
Cresceu bem o nome, mas aí está. Uma verdade incontestável.
O que antes era motivo de crescimento, hoje é motivo de fuga.
E a alma está "encolhendo", já quase não tem voz.
Resgatar esses 20% é dar nova voz a essa alma. Ela precisa disso.
Nós precisamos disso.
Beijinho

Cristina disse...

É Denise um dia iremos ouvir essa pergunta: O que fizestes por ti? Vivemos num mundo tão artificial em que a alma é deixada de lado e com ela todo cuidado espiritual. Boa reflexão! Amo seus post, bastante profundo e nos faz pensar! Bjssssssssssss

Denise disse...

É profundo sim, AC, como requer a questão! Pensemos...

Um bom domingo, bjos!

Denise disse...

Um trabalho inesgotável, não é Zizi? evolutivo tb, e organizador. Nossa "casa" tem que hospedar uma alma que solte a voz, cante, brilhe e se expanda! Como precisamos disso...talvez retomarmos aquela outra lição, a do Goethe...

"Cada dia deveríamos ouvir uma pequena canção, ler uma boa composição poética ou um pensamento que nos reconforte, contemplar um excelente quadro e, se possível, ter um diálogo amigável ou um gesto de cordialidade."


Bjos, minha amiga!

Denise disse...

"O cuidado espiritual" é um ótimo tema, Cristina.

Que bom pensarmos juntas, então, saindo da superfície das coisas, das banalidades e perfumarias que não preenchem esse vazio que nos assola...os 80%...é muita coisa!!

Bjos e um ótimo domingo, minha querida!

Regina Coeli disse...

Olá minha Doce Amiga,
Que POST maravilhoso!!!
Estamos vivendo o tempo da banalização...Nada deixando resguardado.
Acredito que tanto eu quanto você estamos salvando nossos 20%, evitando a passr a existência no desperdício único da prestação de serviços!
Seria tão bom que muitos tomassem consciência disso enquanto ainda há tempo, não é mesmo???
Que sua tarde de domingo seja serena apesar do intenso calor!!!
Com imenso carinho,
Regina Coeli

Denise disse...

Regina, minha querida amiga, queria esse calorzinho daí...rs
Eu tento salvar esses 20% e recuperar um tantinho mais do "restante", e sempre que é possível, "pego e dou carona" na direção que entendo como essencial. Concordo sim, estamos nessa!

Uma ótima semana pra vc, um beijo repleto de carinho!!