“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


24 de set de 2010

Ser espontâneo





É fácil expressar o que pensamos, o que sentimos, nossas opiniões? normalmente, a resposta seria "depende". Depende principalmente do que avaliamos como importante considerar.
Ser espontâneo exclui a necessidade de aprovação, despreocupa-se com qualquer expectativa que venha de encontro à naturalidade de ser, simplesmente, o que somos.
É fácil não cairmos nesse embuste? não, difícil é resistir às pressões - pessoais, familiares, sociais. Aprendemos que fazemos parte de um sistema - e de fato fazemos - e que para sermos excluídos, basta não seguirmos as regras. Que regras? quem as faz? e por que precisamos segui-las? (precisamos? outra regra pessoal).
Os questionamentos acordam nossas verdades "imexíveis" (pérola do neulogismo de Magri), e as respostas, sempre pessoais, são a bússola das mudanças - apontam novos caminhos.
Então a espontaneidade fica ferida de morte se lhe tirarmos a essência - que é EU SOU! E para assumirmos isso, de saída precisaremos não sentir o desconforto "do que poderão pensar dessa minha verdade?" Aquilo que somos foi construído por nós e todas as influências que deixamos entrar. Isso é guardar certa espontaneidade - de vez em quando agrado a mim, outras, aos outros (assim convivo no contexto). Tá, mas e se não me submeter aos julgamentos, consigo ser livre para ser quem sou? depende. Depende de que outras considerações a gente pode abrir mão, e, ainda assim, sentir-se incluído, amado, aceito.
[Nessa parte, fixo o olhar na tela e penso: vou adiante? reprimo meu texto porque posso ser mal interpretada, ou, procurando ser espontânea, expresso minhas dúvidas, procuro compartilhar, mas cuidando com quais palavras escolho me comunicar?]
É difícil a gente SER, em um mundo social que fomos construindo e que nos cobra e critica sem saber das nossas limitações, e, por desconhecer nossas aflições e dores pessoais, colam rótulos e execram sem piedade - e sem postar-se no lugar do outro, sequer lembrar-se humano e passível dos mesmos descaminhos. A empatia pode ser a porta que permite ao outro que entre - e que seja. Ser empático favorece a espontaneidade - do outro e a própria!
Decidir ser espontâneo não é passar por cima de todos, desrespeitar as pessoas ou desconsiderar relevantes questões, como achar que falta de educação e respeito são sinônimos de espontaneidade.
E quando sou espontânea? quando digo que gosto de alguém, faço escolhas, digo que sim ou que não, emito opinião, manifesto adesão a uma causa, por exemplo. Mas, às vezes, nessas situações, eu penso: será que meu carinho será bem interpretado? pareço piegas? ultrapasso alguma convenção? estarei ferindo conceitos? o que vai provocar no outro, ele vai me entender? Resultado? a tal espontaneidade sofre um brusco stop!, e dali em diante, se enche de reservas e, a mim, de indignação. Que danação que é tentar ser espontâneo numa terra de juízes perfeitos, que nos convencem, muitas vezes, ao ponto de usarmos o mesmo argumento quando apontamos o dedo para alguém - esquecendo dos três voltados para si!
Pronto, fui espontânea - talvez na medida do permitido, para contar meus anseios, compartilhar minhas dúvidas, trocar impressões. Fico aqui pensando se alguém vai me ler...e o que vai comentar!!...rs


18 comentários:

Tati Pastorello disse...

Amiga, eu li e comento sim! Estou nesta busca, neste mesmo aprendizado do que é ser espontânea, de até onde podemos ir. Já escrevi textos que pessoas queridas me pediram para tirar do ar. Alguns eu tirei, por que achei pertinente, outros não, por que me davam prazer. Fui me expondo aos poucos e as respostas me surpreenderam. Senti que quando falo coisas que as pessoas não estão acostumadas a expor elas se sentem livres para falar no assunto, e comentam o quanto se identificaram. Isso é gratificante e foi desta maneira que comecei a me soltar. O risco é da má interpretação, de invadir espaços, de ser deselegante com alguém. Tomo cuidado com certas coisas. Não dá para criticar a mãe num post, né? Não faz sentido, mesmo que você ache que está com a razão! Tá, e daí? Para que serviria isso? Tem outras coisas que são chatas, quando você expõe certos sonhos, desejos, vontades e a família, que lê, resolve se intrometer, dar palpite... mas você colocou ali, na internet... está ao alcance de qualquer um! Ainda assim tem sido melhor do que pior, e tenho me sentido crescer. Escrevi quase um livro! hehehe Mas não é você mesma que quer me ver escritora? kkkk
Beijos.

Bloguinho da Zizi disse...

Pois é Denise..
Lendo este post começo a me questionar.
Fiquei também olhando pra tela e tantos pensamentos vieram. Notei uma certa confusão neles.
Nascemos debaixo de regras que vão criando camadas e camadas até que nossa Essência fica quase imperceptível. E quando chega a oportunidade de nos livrar desses padrões entramos no julgamento, dos juízes perfeitos e dos nossos (que são os piores).
É um ciclo vicioso, pois quando menos esperamos estamos novamente fazendo o que o sistema espera.
É um exercício difícil de praticar, mas não impossível.
É tentar a cada dia..

Beijinho

Ivana disse...

Olá,

Você está fazendo o melhor; como profissional e como pessoa, tenha essa certeza. Seu blog é lindo, seus artigos excelentes e neles estão sua marca de mulher, mãe, profissional e amiga fiel e generosa.
Veja quantos seguidores você tem e o carinho que recebe diariamente, não é maravilhoso?
Você faz com que sejamos pessoas melhores; hoje, eu sou uma pessoa melhor!

Continue escrevendo divinamente para deleite dos seus admiradores. Um abraço!

Marilu disse...

Querida amiga, adorei a foto que linda Marilyn...Beijocas

Denise disse...

Oi Tati.
Adorei o livro - e teu humor...rsrsrs

Pois é, retirar os textos não entendo como suprimida tua espontaneidade, uma vez que entendeu que seria melhor para quem pediu e não causaria prejuízo a vc - respeito? Mas, ter escrito foi espontâneo...aliás, vc faz isso cada vez mais solta (já comentei lá no Perguntas) e é essa forma espontânea que, ao meu ver, deixa teus textos deliciosos de ler! (muda não, só "pra mais", tá?...rs)

Veja que legal esse aspecto percebido por vc: a tua espontaneidade propicia aos demais exporem suas ideias - conforme eu havia dito aqui. O importante, eu acho, está em pararmos para pensar procurando os pontos positivos - muitas vezes o foco no negativo nos faz escolher "aparentemente certo"...

Continuemos aprendendo pela busca constante, o desejo genuíno de crescer. Te admiro muito, viu??

Bjão, minha escritora preferida!

Denise disse...

Zizi, a lucidez que vem junto com as emoções é um presente. Adorei tuas reflexões - vou guardar esta em especial: nossos juízos de valor são ainda piores que os dos juízes perfeitos...(aff...isso que dá ser espontânea e dizer o que pensa...toma, Denise!...rsrsrs)
O aprendizado é constante, né amiga? obrigada pela partilha preciosa.
Bjo com carinho!

Denise disse...

Ah, Ivana, quanta generosidade tua! aceito tuas carinhosas palavras pq sei que são totalmente espontâneas, mas são sempre os olhos amorosos que nos tornam o melhor que podemos ser - aos seus olhos!
Mas confesso (espontaneamente!) que acho sim que posso admitir que melhorei muito ao longo da caminhada, embora tenha corredores escuros que não gosto de entrar...rs. Não sou a quase perfeição que vc descreve, mas, como disse a Zizi (acima), nascemos perfeitos, e vamos nos submetendo ao sistema, muitas vezes retrocedendo, para dele permanecer pertencente. Somos seres que precisam pertencer...só precisamos lembrar a quem/quando, e como fazer para voltar A SER...difícil, mas não impossível (parafraseando de novo a Zizi).

Obrigada por usar lentes que me vêem tão melhor do que sou - ou deveria dizer: perceba que enquanto fala de mim, está falando para se ouvir, minha querida...ouça-se, e aceite essa beleza que VOCÊ É!
Bjos!

Denise disse...

Eu custei a encontrar uma que fosse bem representativa da minha ideia, Marilu. Quando vi essa, parei a busca!...rs

bjossss

Malu disse...

Denise, fazia tempo que não passava por aqui...
Mas é bem verdade o que aqui encontrei.
Esta vida, que nos encobre de regras desde o nascimento até o último dia de existência. Regras que nos atrai sempre à aprovações... e assim vamos vivendo, às vezes, quebrando algumas regras, noutras tentando cumpri-las... apenas cumpri-las.
Beijinhos e bom fim de semana

Tati Pastorello disse...

Dê, não sei o que acontece. Agora, toda vez que abro seu blog, abre uma nova guia, com este site aqui: http://www.comunidade-espiritual.com/
Um beijo.

Denise disse...

Oi, Malu!
Regras são necessárias para organizar a sociedade, mas as regras pessoais limitadoras são aquelas que "travam" a gente, impossibilitam sermos felizes - no mínimo atrapalham. Essas podem (DEVEM!!) ser mudadas, transformadas, e assim, não nos subornamos mais aos seus impedimentos.
Um ótimo fds pra vc tb.
bjos!!

Regina Rozenbaum disse...

TÔDANADA, TÔFERRADA, TÔFU...EMALPAGA!!! Sabe por causdiquê? Sou assim espontânea... quando amo, gosto, gosto messsmo!!! O contrário também. Seguimos regras sim... Precisamos delas para convivermos em sociedade, senão seria o caos. Precisamos desenvolver, todos os dias, o respeito e a educação para com o outro e pelo outro. Há como sermos nós mesmos, espontaneamente, sem nos expormos? Creio que não. Mas se sou, genuinamente, o que sou, firo, magoo? Sabe, amada, com essa maneira espontanea de ser, tomamos muiiitas porradas (desculpe, mas é a palavra condizente)pela vida afora... mas também temos um ganho maravilhoso: somos percebidas, "interpretadas", amadas, por aqueles que realmente nos ouvem a essência e permanecem em nossas vidas! Os que nos julgam, escutam(?)com ouvidos tapados...envio primeiramente LUZ. Desses, desejo que caminhem em paz e de preferência bem longe. Sintonias diferentes.
Custei muito a alcançar esse degrau e tenho muitos outros a galgar... Dessa escadaria não abro mão... sofrendo o que tiver que sofrer!
Beijuuss iluminados n.c.

www.toforatodentro.blogspot.com

P.S: Tentei falar com vc hj e não consegui...snif Amanhã tento novamente.

Denise disse...

Tati, já havia notado, e estou tentando solucionar, em contato com o Blogger. Obrigada por avisar, achei que fosse apenas quando eu acessava minha página.
Bjos

Denise disse...

Rê, tudinho que vc disse, tem eco aqui, e vc sabe disso, amada minha.
Os ganhos nos mantém, não é assim?...rs...e que bom que existem, são a confirmação de nossas melhores escolhas, o esteio, o abrigo, a satisfação, o êxtase!!!
Vc não tá danada nem ferrada, tá é VIVA! quem disse que subir essa escadaria é fácil??? justo por isso, nenhum degrau pode ser desprezado, né queridona??

Avante! em frente! voilá!!
Bjão, bons sonhos!

*Até amanhã!

Pedro Neto disse...

Gostei do texto. No entanto, o problema da espontaneidade comigo é que eu simplesmente não sei como é ser espontâneo. Já entendo toda essa problemática de que falou, mas não culpo apenas o "sistema" e os juízes, culpo a mim mesmo também, por não conseguir ser natural. Imagine só, você ter dificuldade em conseguir simplesmente ser natural. Rsrs...

Denise disse...

Olá Pedro,

penso que não existam mesmo "culpados", mas sim uma dificuldade, a necessidade de desenvolver melhor uma habilidade que falte - não damos conta de tudo, não dominamos tudo...

Os comportamentos ficam engessados a partir de nossos medos, de punições sofridas vinculadas a algumas situações que a gente já viveu sendo espontâneo, que inibem a espontaneidade... assunto longo, esse...rs

musicstar disse...

Ser espontâneo é dizer o que pensa sem precisar pensar no que os outros irão dizer ... Demais a minha cara ..
Amei esse post. Me ajudou a refletir bastante mesmo, mil beijos

Denise disse...

Que bom que gostou e valeu uma reflexão!