“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


27 de dez de 2009

"Morrer é preciso"



Morrer é preciso, já disse Fernando Pessoa. Para mudar o que está obsoleto em nossa existência, para virar as páginas do livro da vida que pede nova história, é preciso morrer antes.
A construção dessa caminhada evolutiva não pode agarrar-se aos medos, às dores que os ferimentos nos causam, à antigos pensamentos, sentimentos que não morrem como a gente gostaria. É preciso coragem para desapegar-se, olhar com amor e dizer adeus, dissuadindo a alma de que isto tudo - seja o que for - lhe faz parte, pois não lhe cabe mais, embora esteja aconchegado para sempre em si, inseparável que é de sua essência.
Morrer é preciso, substituindo velhos sonhos, traçando novos projetos de um futuro por viver. Morrem aos poucos partes indistintas de nós, tal qual caem as folhas de outono, mas relutamos em deixar ir todo o "bem" que forjamos para dar sentido ao viver, mesmo que esteja causando dor.
Esta época, usualmente de intensas reflexões, provoca na gente questionamentos de toda natureza, mas o que de fato nos movimenta, é o sentimento. Quanto mais feridos, mais dispostos a questionar e a mudar. Prova indiscutível de que o sofrimento é a porta de saída de todos os nossos males, para que o novo se manifeste, e entre.
Parafraseando Pessoa, morrer 2009 é preciso, para que em 2010 renasçam sonhos, permaneçam as bonitas histórias, surjam novos projetos e se realizem os que são permanentes e já em andamento. Este morredouro tempo que invoca as mudanças necessárias e profundas é a ponte por onde os passos ultimam as vivências e preparam a seqüência da caminhada vital.
Essa morte não arranca nosso sonhos, transforma-os; não tira nossos tesouros, sepulta-os no coração, morada eterna de nossos amores, e fortalece-nos para o renascer de novos tempos. Bem-aventurado seja 2010, o Ano de novos dias!!

2 comentários:

Rejane disse...

Você escreve muito bem! eu diria que Martha Medeiros tem o seu estilo.
Feliz Ano Novo Denise.Que o ano de 2010 seja de harmonia e paz.
Um abraço!!

Denise disse...

Escrever, pra mim, Rejane, é tão "antigo" quanto respirar, assim como o hábito da leitura. Esse conjunto talvez tenha dado contornos ao estilo que se refere, mas certamente a admirável escritora gaúcha faz uso das palavras com desenvoltura ímpar, sem medo de usá-las para expressar as cenas do cotidiano, os sentimentos; com uma visão de mundo que lembrou-me algo que li não lembro onde: "Eu tento ser tudo o que as pessoas esperam que eu seja, desde que para isso, eu não tenha que deixar de ser eu mesma." A autenticidade dela me fascina, pq é simples. Posso pensar diferente e respeitar essa diversidade, sem perder-me daquilo que sou.

Muito obrigada pelo comentário, fico envaidecida pela generosa comparação...como não foi a primeira, vou acabar acreditando...rs

É um prazer tê-la por aqui!
Beijos