“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


1 de dez de 2008

Lembranças tantas...



Há em mim, há em ti, registros vivos de tanta vida...
Não me furto aos meus, os mantenho meus e comigo. Gosto de tê-los assim, ao alcance do coração.

Foram meus constituintes impressos na alma, na pele, no sorriso, na lágrima teimosa, no sonho construído...pelas lembranças tantas, pelas andanças errantes, pelo resultado de escolhas certas e incertas ou pela vivência de dias sanos e horas doentes, por sonhos dormentes ou conquistas pungentes. Palpitou a vida incessante, na coleção caprichosa e carinhosa dos momentos forjados pelas leis da vida...

Meus registros são o arsenal de imagens que guerreiam buscando a paz no conflito, ou onde repousam solenes os régios instantes de intensa felicidade, eternizados no compassivo coração.

É infinita a relação de sons e imagens, cheiros e paladares...e a lembrança passeia por uma refeição à mesa, o som do rádio na estação do ouro, no aroma do café fresquinho, um copo d' água servido na cama, as intermináveis e deliciosas conversas, ou num choro abafado, no olhar profundo ou no silêncio doído dentro da noite vazia.

Ecoa no tempo o caminho percorrido e a soma de gentes e sentimentos empilhados na memória farta de uma densa trajetória a constituir os seres, construindo suas lidas e inventando suas estórias...com chegadas e partidas, dores e alegrias, distância e aconchego, riso e lágrima, sol e lua...numa oposição constante ou na contradição gritante.

O oposto abriga a constância que quis fugir, o inusitado que tingiu de tédio o tempo que hoje agoniza na fenda escura dos dias longos e iguais...é inexplicável o acontecimento que carrega em si um amor preenchido pela beleza que se esparramou nos corações, mantando-nos reféns desse imenso, indescritível querer. Provavelmente sequer traga entendimento pelo tempo que resta viver...

Porém, a fresta da porta se fecha, e encarcerada fica esta estação da vida, retida nas cercanias da saudade. É o término de um ciclo, e, embora o desapego seja um processo esquisito que deixa uma sensação de vazio onde mora tanto sentimento, em algum momento inesperado há de nos socorrer a alegria, barulhenta e festeira para sacudir a tristeza e comemorar novos dias. E ela, a alegria, tão faceira, parecerá traiçoeira com a saudade das coisas que estão ficando pelo caminho...

Neste instante, enquanto os olhos, teimosos, olham para trás, saudosos, o coração doído conhece o hiato que preencheu os dias...findos??

♥ Denise

2 comentários:

Regina Rozenbaum disse...

MISERICÓRDIA Dona Denise...isso é mais que um grito de alerta. É teu coração acenando vivências... numa cartografia carregada de emoções!!!
MI-SE-RI-CÓR-DIA!!!
Beijuuss nesse coração lindo de viverrrr

Denise disse...

Rê, como a gente diz, o coração tá vertendo água...rs

Choooora coraçããããoooo, iêh, iêh, iêh iêh....rs
Bjãozão, carregado de emoção!