4 de fev. de 2011
3 de fev. de 2011
Passar pela porta.

Fotógrafa Teresa (Portugal)
Ao longo da vida vamos acumulando experiências, que, invariavelmente, redundam nos conceitos que construímos, frutos do material daquilo que experienciamos - pelas vivências nem sempre positivas, mas que geram resultados transformadores, portanto, sob este ponto de vista, mais que positivas, inspiradoras.
Na medida em que avançamos, a percepção vai sendo aperfeiçoada, e, vívida em nosso sistema sensório, é a bússola que orienta nossas decisões. Podemos tecer aqui o paralelo com a edificação espiritual, cada vez mais aflorada pela busca interior e decisão pessoal, evidenciada pela atenção dirigida aos sentidos que, alertas, recebem/enviam mensagens o tempo todo ao nosso Ser maior - ou a parte mais inteligente de nosso sistema vivo. Com estes filtros mais abertos, ou através da intuição mais refinada, estas informações chegam com mais freqüência e fidelidade, e são invariáveis indicadores do conteúdo que realmente precisamos atender.
Cada um de nós vai amealhando esses elementos que alicerçam nosso Ser e preparam nosso caminho em direção à evolução pessoal – e coletiva, porque nada no universo muda sozinho. Então nos parece natural o desejo de querer compartilhar esses aprendizados, dividindo nossos tesouros com aqueles que amamos. Um gesto de amor pensamos, e de fato o é. Entretanto, muitas vezes esquecidos de consultar a disposição desse outro, tendemos a empurrá-lo pela porta por onde passamos por escolha livre. Aliás, se um dia cruzamos seus umbrais, foi porque assim decidimos.
Não estar preparado para a travessia e ser conduzido é, quase sempre, uma violência. Um abrasivo atrito com os valores pessoais que não estão prontos para a desconstrução, desfazendo muitas vezes o equilíbrio dessa pessoa – atrasando seu caminhar, alterando sua rota.
Em nosso anseio de partilhar, confundimos nobreza de atitude com invasão de território. As escolhas são individuais, e elas exigem determinadas experiências vivenciais para que se concretizem, por isso, o que serve para um, não necessariamente serve para todos. O outro tem direito às suas próprias escolhas e definições de como viver – se estiver pronto para a passagem e o caminho for estreito, ainda assim passará.
Esta é uma demanda pessoal e intransferível, que, se acontecer em ressonância aos esforços da nossa jornada pessoal, que bom será seguirmos o caminho acompanhados. Mas não queira empurrar ninguém pela porta. Cada um cresce na medida e tempo que decide, esse momento é de cada um...
Seis atitudes para praticar o desapego

(1) Mudar o nosso relacionamento com as coisas. Na perspectiva espiritual não possuímos nada, somos apenas guardiões temporários.
(2) Lembrar que cada um tem um ponto de vista diferente e muitas vezes ninguém está certo. Dizer "Eu não concordo com você, mas aceito seu ponto de vista”.
(3) Praticar a doação livre de desejos, ao notar que estamos querendo algo dos outros.
(4) Não deixar que a felicidade dependa de algo exterior a si, especialmente dos resultados das nossas próprias ações e das ações dos outros.
(5) Perguntar às pessoas, cuja sabedoria respeitamos, como elas lidariam com a situação.
(6) Olhar para a situação através dos olhos da outra parte.
Mike George
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