“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


5 de jul. de 2010

Pássaros feridos




"Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a Terra. A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro e só descansa quando o encontra. Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e solta um canto mais belo que o da cotovia e o do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência. Mas o mundo inteiro pára para o ouvi-lo e Deus sorri no céu. Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento...Pelo menos é o que diz a lenda.

(...)

O pássaro com o espinho cravado no peito segue uma lei imutável; impelido por ela, não sabe o que é empalar-se, e morre cantando. No instante em que o espinho penetra, não há nele consciência do morrer futuro; limita-se a cantar e canta até que não lhe sobra vida para emitir uma única nota. Mas nós, quando enfiamos os espinhos no peito, nós sabemos, compreendemos. E assim mesmo fazemo-lo!"

Colleen McCullough


2 de jul. de 2010

O que me fez blogueira?


Este selinho recebi da Tati, do Blog Perguntas em resposta.

É uma amiga querida, que “vem tentando responder à pergunta Ser ou não ser? há muito tempo. Às vezes ela é calma e tranquila, muitas vezes uma tempestade! É alegre e animada, em certos momentos tensa, ansiosa, deprimida... busca respostas às suas questões, e nisso é incansável. A cada dia uma nova Tati emerge nela, e quanto mais Tatis ela se torna, mais gosta de ser quem é.” Lindo, não??

Vamos lá. O selo pede que eu responda a pergunta: Por que me tornei blogueira? E em seguida indique quatro pessoas para fazerem o mesmo.

Antes de ter o Blog, primeiro fui colaboradora do site de um amigo, escrevendo textos sob o olhar da psicologia. Depois como colunista desse mesmo espaço, eu, que sempre gostei de escrever, ia exercitando esse prazer. Pelo período de mais ou menos um ano participei desse projeto, que transformou-se em um espaço cultural focal - de cinema e arte. Retirados do ar os textos, dei como encerrada essa etapa. E estava certa, porque outra teria início.

Não havia antes prestado atenção ao mundo dos blogs, mas foi descobrindo aos poucos esse universo que recebi o estímulo de uma pessoa que escreve muito bem. O ano era 2007, já no seu final. Com a ajuda desse blogueiro, abri o meu, cujo nome demorei pra definir, e acho que a decisão veio porque entendi que ilustrava minha visão sobre o que é escrever. É Tecer Ideias - e sem acento!...rs

Bom, em 07 de dezembro de 2007, trouxe alguns dos textos que havia escrito, e segui postando imagens e o que recebia e encontrava, navegando, e, de alguma maneira me tocava. Era um blog anônimo, embora constasse foto e nome no perfil, mas desconhecido, pois o mantinha pelo prazer de ter um lugar pra chamar de meu...rs

Depois de um ano e meio, em meados de 2009, uma amiga o descobriu e perguntou porque eu não habilitara os seguidores, pois assim seria mais fácil acompanhar meus escritos - que aos poucos começaram a surgir, sem qualquer pretensão de ser lida. Era apenas para escrever. Atendi seu pedido, e, neste um ano fui adicionando blogs para seguir e sendo adicionada. E escrevendo. Acontece que uma mágica foi acontecendo...

Fui descobrindo mais do que textos interessantes, pessoas sensíveis, que compartilham suas vivências, seus sonhos, as dores, as dúvidas, sentimentos, emoções e sabedoria. Esse conjunto de circunstâncias contribuíram para que começasse a fazer pequenos ensaios de comentários por onde passava, e a rede foi se tecendo, por si só.

Encontrei lugares encantadores, que não divulgam apenas autores renomados, textos amplamente divulgados na rede, citações filosóficas - as chamadas frases de efeito - mas que além de escolher a estas que causam efeito em si, reproduzem as próprias falas, redigem as suas histórias, compartilham generosamente seus garimpos na blogosfera, na net, na vida. Essa troca me fez investir mais tempo e cuidado no lugar que abri pra chamar de meu, porque já não era mais assim. Me tornei blogueira porque me permite interagir com outras pessoas, enquanto exponho a mim própria - através de minhas ideias e daquelas que comungo.

Nunca enxerguei o blog como o definem: Página de internet com características de diário, atualizada regularmente. Em alguns momentos divido situações pontuais, mas não faço relatos diários, e se escrevo sobre algumas coisas referentes a minha vida, são textos esporádicos, situacionais. Sou blogueira porque gosto desse convívio praticamente diário, porque aprendo muito com quem vou conhecendo, tratando de aproveitar para enriquecer-me com essa troca amiga feita entre estas pessoas incríveis, que vão trazendo elementos novos que agregam valores aos que já existem.

É um mundo livre, que nos permite ser e estar nos cantinhos agradáveis, que encontramos ressonância, acolhida carinhosa e afinidades de alma. Recantos que nos emocionam, nos fazem refletir e refletem a ternura de seus fundadores. Esse encontro afetivo é efetivamente pessoal, de uma grandeza ímpar, despretensiosa. Um presente, que mantém algumas pessoas mais próximas, por livre e espontânea vontade. Isso é maravilhoso! Resumindo tudo, tornei-me blogueira porque amo escrever, porque adoro gente e me proponho a aprender, só assim posso ser mais feliz, mais completa e crescer!

E pra encerrar, quero ao meu incentivador, obrigada pelo estímulo, as dicas, a ajuda e...por ler-me...rs

Agora as 4 pessoas que devo indicar. Só quatro! difícil decisão, mas sem dúvida conheceremos boas e interessantes histórias.

1. Marli – Blog da Marli

2. Jeanne - Jardins de uma alma eterna

3. Cida - Mosaicos

4. Regina - Faz de Conta


1 de jul. de 2010

Sabor de saudade...


Queria ter imagens de meus cabelinhos loirinhos, à época muito finos e curtinhos, mas o que me socorre são algumas poucas fotos, preenchendo esse vazio de lembranças. Recordo cheiros da casa de minha avó, ouço os passos no sótão que abrigavam os enormes baús pretos de lata muito grossa e alças e fecho dourados. As luzes que entravam pelas janelinhas quadriculares brilhavam na superfície lisa e negra daqueles enormes caixotes que guardavam relíquias sem valor para crianças - o que valia era a curiosidade de espiar dentro, de onde exalava o forte cheiro de naftalina.
O pomar da casa de dois pavimentos era enorme, abrigava vários pés de frutas, muitas plantas e arvorezinhas ornamentais, além de um galinheiro onde eu subia para colher as goiabas que minha avó adorava - e ovos frescos para os bolos que fazia!
As janelas tinham grades de ferro que faziam desenhos assustadores quando a tarde morria, era um castelo que a menina imaginava que de dentro, um dia fugiria. Reveladora essa sensação, mas não naquela época infantil. Ali eram celebradas as datas importantes, quando reuniam-se tios e primos, e os natais eram barulhentos aos pés do pinheirinho que piscava suas luzes coloridas.
O sabor daquele tempo tem a forma da maçã - a comi diariamente por cinco anos, que me lembre. Hoje levo meses pra sentir vontade de comer uma. Saturada fiquei da fruta, mas nunca das sensações. O guarda-pó branco era o uniforme do grupo escolar, tinha pregas tão bonitas, adorava usar. Ia a pé para a escola, e muitas vezes na volta, acompanhada de outras crianças arteiras, tocava campainhas das casas e saía em desabalada corrida. Os moradores já não se importavam, viam as crianças e poucas vezes ralhavam.
Nesse tempo era permitido às crianças fazerem desenhos, colorir, subir em árvores, brincar de casinha, de bonecas, de carrinho, rolimã, contar histórias e montar cidades inteiras com tijolinhos de madeira. As vovós faziam geléias e pães caseiros, que cheiravam na casa inteira quando a fornada ficava pronta.
Criança não participava do mundo adulto, mas tinha um mundo infantil. A inocência era testemunha dos olhinhos curiosos que observavam os mais velhos namorar, espiando os beijos roubados quando dar as mãos na sala, a namorar, já era quase pra casar!
Esse tempo foi dando lugar às curvas que o corpo foi ganhando, os sapatos subindo no salto, o esmalte colorindo as unhas e os lábios ganhando cor e brilho. Junto da infância foram ficando sonhos, brincadeiras, descompromisso e liberdade. Os cheiros dessa infância estão envoltos naquela naftalina, protegidos na memória que reterá esses tesouros, para serem divididos com os netos que já começam a chegar. Definitivamente, a infância à maturidade deu lugar!

Homens Maduros


José Mayer
Um charmoso Homem Maduro
Este precioso texto da Zélia Gattai encontrei no Blog da Regina, que destaca a importância de conhecer a descrição do Homem Maduro, em contraponto às inúmeras crônicas sobre a Mulher Madura. Fui lendo e me apaixonando, razão pela qual trouxe-o para cá, também querendo homenagear aos "homens maduros que passaram, estão presentes, e àqueles que entrarão em minha vida", como disse a Regina.
Agradeço pela partilha, que me deu a oportunidade de, hoje especialmente, prestar uma pequena homenagem a um Homem Maduro muito especial.


Homens Maduros
Por Zélia Gattai

Há uma indisfarçável e sedutora beleza na personalidade de muitos Homens que hoje estão na idade madura.

É claro que toda regra tem suas exceções, e cada idade tem o seu próprio valor.

Porém, com toda a consideração e respeito às demais idades, destacarei aqui uma classe de Homem que são companhias agradabilíssimas:

Os que hoje são quarentões, cinqüentões e sessentões.

Percebe-se com uma certa facilidade, a sensibilidade de seus corações, a devoção que eles têm pelo que há de mais belo: O SENTIMENTO.

Eles são mais inteligentes, vividos, charmosos, eloqüentes.

Sabem o que falam e sabem falar na hora certa.

São cativantes, sabem fazer-se presentes sem incomodar. Sabem conquistar uma boa amizade.

Em termos de relacionamentos, trocam a quantidade pela qualidade, visão aguçada sobre os valores da vida, sabem tratar uma mulher com respeito e carinho.

São Homens especiais, românticos, interessantes e atraentes pelo que possuem na sua forma de ser, de pensar e de viver.

Na forma de encarar a vida, são mais poéticos, mais sentimentais, mais emocionais e mais emocionantes.

Homens mais amadurecidos têm maior desenvoltura no trato com as mulheres, sabem reconhecer as suas qualidades, são mais espirituosos, discretos, compreensivos e mais educados.

A razão pela qual muitos Homens maduros possuem estas qualidades maravilhosas deve-se a vários fatores: a opção de ser e de viver de cada um, suas personalidades, formação própria e familiar, suas raízes, sabedoria, gostos individuais, etc...

Mas eu creio que em parte, há uma boa parcela de influência nos modos de viver de uma época, filmes e músicas ouvidas e curtidas deixaram boas recordações da sua juventude, um tempo não tão remoto, mas que com certeza, não volta mais.

Viveram a sua mocidade (época que marca a vida de todos nós) em um dos melhores períodos de nosso tempo: Os anos 60 e 70. Considerados as “décadas de ouro” da juventude, quando o romantismo foi cantado em verso e prosa.

A saudável influência de uma época, provocada por tantos acontecimentos importantes, que hoje permanecem na memória, e que mudaram a vida de muitos. Uma época em que o melhor da festa era dançar agarradinho e namorar ao ritmo suave das baladas românticas. O luar era inspirador, os domingos de sol eram só alegria.

Ouviam Beatles, Johnny Mathis, Roberto Carlos, Antonio Marcos, The Fevers, Golden Boys, Bossa Nova, Marres Albert, Jovem Guarda e muitos outros que embalaram suas “Jovens tardes de domingo, quantas alegrias! Velhos tempos, belos dias.”

Foram e ainda são os Homens que mais souberam namorar: Namoro no portão, aperto de mão, abraços apertadinhos, com respeito e com carinho, olhos nos olhos tinham mais valor... A moda era amar ou sofrer de amor. Muitos viveram de amor... Outros morreram de amor...

Estes Homens maduros de hoje, nunca foram homens de “ficar”. Ou eles estavam a namorar pela certa, ou estavam na “fossa”, ou estavam sozinhos. Se eles “ficassem”, ficariam para sempre... ao trocar alianças com suas amadas.

Junto com Benito de Paula, eles cantaram a “Mulher Brasileira, em primeiro lugar!”

A paixão pelo nosso país era evidente quando cantavam:

“As praias do Brasil, ensolaradas

No céu do meu Brasil, mais esplendor..

A mão de deus, abençoou,

Mulher que nasce aqui, tem muito mais amor...

Eu te amo, meu Brasil, eu te amo...

Ninguém segura a juventude do Brasil... sil... sil... sil...”

A juventude passou, mais deixou “gravado” neles, a forma mais sublime e romântica de viver.

Hoje eles possuem uma “bagagem” de conhecimentos, experiências, maturidade e inteligência, que foram acumulando com o passar dos anos.

O tempo se encarregou de distingui-los dos demais: Deixando os seus cabelos cor-de-prata, os movimentos mais suaves, a voz pausada, porém mais sonora. Hoje eles são Homens que marcaram uma época.

Eu tenho a felicidade de ter alguns deles como amigos virtuais, mesmo não os vendo pessoalmente, percebo estas características através de suas palavras e gestos.

Muitos deles hoje, “dominam” com habilidade e destreza essas máquinas virtuais, comprovando que nem o avanço da tecnologia lhes esfriou os sentimentos pois ainda se encontram com versos, rimas, músicas e palavras de amor. Nem lhes diminuiu a grande capacidade de amar, sentir e expressar seus sentimentos. Muitos tornaram-se poetas, outros amam a poesia.

Porque o mais importante não é a idade denunciada nos detalhes de suas fisionomias e sim os raros valores de suas personalidades.

O importante é perceber que os seus corações permanecem jovens... São Homens maduros, e que nós, mulheres de hoje, temos o privilégio de poder admirá-los.

Equilíbrio



"Geralmente usamos a lógica para dar instruções a alguém, mas nem sempre isso traz o resultado que esperamos. O que precisamos é desenvolver equilíbrio entre a razão e o sentimento. Precisamos adicionar mais amor no ato de dar orientações às pessoas. O amor traz doçura e leveza. A lógica traz clareza e discernimento. Assim, o que dissermos será efetivo. Aquele que age com equilíbrio entre cabeça e coração será sempre bem sucedido."