
2 de jun. de 2010
Humildade


1 de jun. de 2010
Dia Mundial da Criança
O poder de discernir.
.jpg)
Entrevistando um TUAREG

Não sei a minha idade: nasci no Deserto do Saara, sem certidões...! Em um acampamento nómada Tuareg entre Tumbuctu e Gao, ao norte do Mali. Tenho sido pastor de camelos, cabras, ovelhas e vacas de meu pai. Hoje estudo Gestão na Universidad Montpellier. Sou solteiro. Defendo os pastores Tuareg. Sou muçulmano sem fanatismo.
- Que turbante tão bonito…!
- É uma fina tela de algodão: permite proteger o rosto no deserto quando se levanta areia, e seguir vendo e respirando através dele. É de um azul belíssimo….aos Tuareg chamam os homens azuis por isto: a tela solta algo e nossa pele se toma de tons azulados...
- Como elaboram este intenso azul anil?
- Com uma planta chamada índigo, misturada com outros pigmentos naturais. O azul, para os Tuareg, é a cor do mundo.
- Por quê?
- É a cor dominante: do céu, do teto de nossas casas.
- Quem são os tuareg?
- Tuareg significa “abandonados”, porque somos um velho povo nômade do deserto, solitário, orgulhoso: “Senhores do Deserto”, nos chamam. Nossa etnia é a amazigh (berbere), e nosso alfabeto, o tifinagh.
- Quantos são?
- Uns três milhões, e a maioria, todavia, é nômade. Porém a população decresce...É preciso que um povo desapareça para que saibamos que existia, denunciava um vez um sábio: eu luto para preservar este povo.
- A que se dedicam?
- Pastoreamos rebanhos de camelos, cabras, ovelhas, vacas e jumentos num reino de infinito e de silêncio…
- De verdade tão silencioso é o deserto?
- Sim estás a só naquele silêncio, ouves as batidas de teu próprio coração. Não há melhor lugar para se achar sozinho.
- Que recordações de tua infância no deserto conservas com maior nitidez?
- Meu despertar com o sol. Ali estavam as cabras de meu padre. Elas nos dão leite e carne, nós as levamos aonde há água e pastagem… Assim fez meu bisavô, e meu avô, e meu pai… E eu. Não havia outra coisa a mais no mundo do que isso. E eu era muito feliz nele!
- Sim! Não parece muito estimulante. ..
- Muito.. Aos sete anos já te deixam apartado do acampamento, para o que te ensinam as coisas importantes: a farejar o ar, escutar, apurar a vista, orientar-se pelo sol e as estrelas… E a deixar-se levar pelo camelo, se te perdes, te levará aonde há água. Saber isso é valioso, sem dúvida… Ali todo é simples e profundo. Há poucas coisas, e cada uma tem um enorme valor!
- Então este mundo e aquele são muito diferentes, não?
- Ali, cada pequena coisa proporciona felicidade. Cada roçar é valioso. Sentimos uma enorme alegria pelo simples fato de nos tocarmos, de estar juntos! Ali nada sonha em chegar a ser, porque cada um já o é!
- O que mais chocou em tua primeira viagem a Europa?
- Vi correr as pessoas pelo aeroporto. No deserto só se corre se vem uma tormenta de areia! Assustei-me, claro…
- Só iam buscar as malas…
- Sim, era isso. Também vi cartazes de mulheres desnudas: por que essa falta de respeito com as mulheres? Perguntei-me… Depois, no hotel Ibis, vi a primeira torneira de minha vida: vi correr a água…. e senti vontade de chorar..
- Que abundancia, que desperdício, não?
- Todos os dias de minha vida haviam consistido em procurar água! Quando vejo as fontes ornamentais aqui e acolá continuo sentindo dentro uma dor tão imensa….
- Tanto assim?
- Sim. A principio dos 90 houve uma grande seca, morreram os animais, caímos enfermos. Eu tinha uns doze anos, e minha mãe morreu. Ela era tudo para mim! Me contava histórias e me ensinou a contar-las bem. Ensinou-me a ser eu mesmo.
- Que aconteceu com sua família?
- Convenci a meu pai de que me deixasse ir à escola. Quase todos os dias eu caminhava quinze quilômetros. Até que o professor me deixou uma cama para dormir, e uma senhora me dava de comer ao passar ante a sua casa. Entendi que minha mãe estava ajudando-me...
- De onde saiu essa paixão pela escola?
- Dois anos antes havia passado pelo acampamento o rali Paris-Dakar e uma jornalista deixou cair um livro de sua mochila. O recolhi e o dei a ela. Presenteou-me e me falou daquele livro: O Pequeno Príncipe. E eu me prometi que um dia seria capaz de lê-lo….
- E o ganhou...
- Sim. E assim foi como ganhei uma bolsa para estudar na França.
- Um Tuareg na universidade ..!
- Ah, o que mais me falta aqui é o leite de camela. E o fogo a lenha. E caminhar descalço sobre a areia quente. E as estrelas: lá as miramos cada noite, e cada estrela é distinta de outra, como é distinta cada cabra. Aqui, pela noite, olhas a televisão.
- Sim. Que é o pior que lhe parece aqui?
- Tendes de tudo, porém não basta. Queixai-vos. Na França passam a vida se queixando! Aprisionai-vos por toda a vida aos bancos, e há ânsia de possuir, frenesi, pressa. No deserto não há atrasos, e sabe por que? Porque ali nada quer se adiantar a nada.
- Conta-me um momento de felicidade intensa em distante deserto.
- É cada dia, duas horas antes do pôr do sol: diminui o calor, e o frio não chegou ainda, e homens e animais regressam lentamente ao acampamento e seus perfis se recortam no céu rosa, azul, roxo, amarelo, verde…
- Fascinante, na verdade…
- É um momento mágico. Entramos todos na tenda e pomos o chá no fogo. Sentados, em silêncio, escutamos a fervura. A calma nos invade a todos: as batidas do coração entram no compasso da ebulição da água...
- Que paz…
- Aqui você tem o relógio, ali temos o tempo.
REFLEXÃO
Será que a vida deve ser marcada pelo tempo do relógio?
Quanto temos reclamado da falta de tempo??
O tempo é como um rio.
Você não pode tocar a mesma água duas vezes,
porque a água que passou, não passará de novo.
Aproveite cada momento da vida, encontrando tempo para VIVER.
Se você vive dizendo como você está ocupado, então você nunca estará livre.
Se você vive dizendo que você não tem tempo, então você nunca terá tempo.
Se você vive dizendo o que vai fazer amanhã, esse amanhã nunca chegará.
É impossível voltar atrás.
Valorize cada momento vivido, e esse tesouro terá muito mais valor
se você compartilhá-lo com alguém especial, especial o suficiente
para você gastar com ele o seu tempo...
E lembre-se, o tempo não espera por ninguém!