“Planto flores no caminho para que não me faltem as

borboletas. Foram elas que me ensinaram que o casulo

não é o fim. É o começo."

Day Anne


26 de fev de 2010

Data histórica


Este dia fica marcado para sempre, definitivamente, na minha vida: nasce meu neto, um amor que a maturidade me fez provar. Diferente de tudo que já senti. Por nos braços o filho de meu filho foi acender uma chama de intensa alegria no peito, que abriga um coração imensamente feliz!
Não encontrei palavras que possam contar melhor o que sinto. É uma profunda emoção, um amor perfeito, um presente abençoado.
Fica aqui registrado, meu amor, a tua chegada a este mundo. E que seja belo e fecundo, o mundo em que você viver!

26 de fevereiro de 2010

25 de fev de 2010

A criança livre que existe dentro da gente


Dentro de nós existe uma criança livre - de todos os conceitos e proibições incompreensíveis ao seu espírito espontâneo e solto. Ela se manifesta naquele nosso "ataque" de riso incontrolável, naquela vozinha infantil que brinca com os outros, nas caretas - a preferida é a língua de fora! - e na vontade inexplicável e quase irresistível de ficar de pés descalços ou sentar-se no chão da sala de visita dos outros. Ou ainda, aparece arteira na tentação de mexericar em algum objeto que encante e desperte a curiosidade, seja de quem e onde for! E o que dizer da cantoria a plenos pulmões em momentos de explosiva alegria?? Pois é essa criança interior que precisamos cultivar, alimentar sua alma pura que não tem vínculo com limitação nenhuma, para que permaneça trazendo brilho aos dias adultos, amargos, difíceis, tristonhos.
Sejamos capazes de cultivar-lhe o sorriso aberto, a energia inesgotável que impulsiona a vida, o coração ingênuo e sem mácula, pronto para amar, simplesmente. Que possamos convocar sua presença em todas as situações que precisem da amenidade, da brandura e da ternura infantil - e que consigamos nos encantar com sua alegria contagiante, distribuindo amor e semeando a paz!
Assim eu desejo. Que assim seja!

Voar sobre o pântano

...
Havia se acostumado a estar ali, comia larvas da lama e estava sempre sujo. Suas asas estavam inutilizadas pelo peso da sujeira.
Certo dia um vendaval derrubou sua morada. A árvore apodrecida foi tragada pelo pântano e ele se deu conta de que ia morrer. Para salvar-se, começou a agitar suas asas com força, tentando voar. Era muito difícil pois havia esquecido como voar. Mas enfrentou a dor, conseguiu alçar vôo e cruzou o amplo céu...chegando finalmente, a um bosque fértil e formoso!
Os problemas são como um vendaval que destrói sua vida e o obrigam a ‘levantar vôo ou morrer’.
Nunca é tarde para ser feliz. Não importa o que se viveu, não importa os erros cometidos, não importa as oportunidades que se deixou passar, não importa a idade. Sempre é tempo de dizer basta, entender que é preciso melhorar, sacudir a lama e voar alto, para bem longe do pântano.
Abandone sua comodidade, enfrente seus medos e inseguranças e, só assim, começará a voar...
Deus o acompanhará e mostrará qual caminho tomar.
Eu tenho certeza, que você chegará até o bosque do seu merecimento.

Desconheço autoria

24 de fev de 2010

A janela dos outros



O tema postado anteriormente apareceu sincronisticamente ao longo de meu dia.
Encontrei este texto da gaúcha Martha Medeiros em meus arquivos, "por acaso" enquanto procurava outro. Em blogs amigos também me deparei com a presença de janelas. Sendo assim, rendo-me e compartilho uma outra versão do mesmo assunto, inclusive por também haver lido o livro mencionado.

Gosto dos livros de ficção do psiquiatra Irvin Yalom (Quando Nietzsche Chorou, A Cura de Schopenhauer) e por isso acabei comprando também seu Os Desafios da Terapia, em que ele discute alguns relacionamentos padrões entre terapeuta e paciente, dando exemplos reais. Eu devo ter sido psicanalista em outra encarnação, tanto o assunto me fascina.
Ainda no início do livro, ele conta a história de uma paciente que tinha um relacionamento difícil com o pai. Quase nunca conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou que seria um bom momento para se aproximarem. Durante o trajeto, o pai, que estava na direção, comentou sobre a sujeira e degradação de um córrego que acompanhava a estrada. A garota olhou para o córrego a seu lado e viu águas límpidas, um cenário de Walt Disney. E teve a certeza de que ela e o pai realmente não tinham a mesma visão da vida. Seguiram a viagem sem trocar mais palavra. Muitos anos depois, esta mulher fez a mesma viagem, pela mesma estrada, desta vez com uma amiga. Estando agora ao volante, ela surpreendeu-se: do lado esquerdo, o córrego era realmente feio e poluído, como seu pai havia descrito, ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista. E uma tristeza profunda se abateu sobre ela por não ter levado em consideração o então comentário de seu pai, que a esta altura já havia falecido. Parece uma parábola, mas acontece todo dia: a gente só tem olhos para o que mostra a nossa janela, nunca a janela do outro. O que a gente vê é o que vale, não importa que alguém bem perto esteja vendo algo diferente. A mesma estrada, para uns, é infinita, e para outros, curta. Para uns, o pedágio sai caro; para outros, não pesa no bolso. Boa parte dos brasileiros acredita que o país está melhorando, enquanto que a outra perdeu totalmente a esperança. Alguns celebram a tecnologia como um fator evolutivo da sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão frias. Uns enxergam nossa cultura estagnada, outros aplaudem a crescente diversidade. Cada um gruda o nariz na sua janela, na sua própria paisagem. Eu costumo dar uma espiada no ângulo de visão do vizinho. Me deixa menos enclausurada nos meus próprios pontos de vista, mas, em contrapartida, me tira a certeza de tudo. Dependendo de onde se esteja posicionado, a razão pode estar do nosso lado, mas a perderemos assim que trocarmos de lugar. Só possuindo uma visão de 360 graus para nos declararmos sábios..
E a sabedoria recomenda que falemos menos, que batamos menos o martelo e que sejamos menos enfáticos, pois todos estão certos e todos estão errados em algum aspecto da análise.
É o triunfo da dúvida.

Por Martha Medeiros

De que lado você está?


Em qual lado da janela você está, faz toda a diferença que explica sua visão de mundo. No entanto, caso saia - ou resolva entrar - não esqueça que a vista vai mudar. Se trocar de lugar, tenderá a ser a paisagem que aprendeu a julgar...
Li algo semelhante há muito tempo atrás, e agreguei esse ensinamento justo num processo de vida que envolveu muita mudança. E quanto mais vejo o tempo passar, mais verdadeiro o vejo ficar, não importa que dores tenha que acessar para me lembrar...


Harmonia



Harmonia e equilíbrio são uma conquista, estados de alma que nos elevam ao ponto que precisamos alcançar para usufruir da felicidade tão desejada. Não é tarefa fácil, requer muito nosso próprio querer, e envolve todas as ações de que somos capazes de ter, toda energia que podemos emanar e uma incansável e invencível determinação.
O ponto de equilíbrio energético não está fora de nós, como tudo o mais que precisamos - se encontra em nós. Os caminhos para chegar ao entendimento desse nosso "poder" são trilhados conforme nosso ritmo pessoal e disposição de mudança. Ninguém fará por nós o caminho, assim como o resultado é pessoal e intransferível, embora compartilhado com todo o universo em que estamos inseridos. Sempre respinga amor naqueles que estão abertos a ele...
Respiremos Luz, expiremos Paz, Harmonia, Equilíbrio. Que o amor seja o grande invólucro da humanidade e alinhe nossos sentidos, e a compaixão possa mudar o mundo que ressona na dor, acordando os corações para a realidade fraterna e transformadora.
Utopia? talvez, mas prefiro este alimento à todos que podem romper com tudo que aprendi na dor...a gente pode crescer pelas mãos do amor!

Descubra-se!

Podemos ter um "silêncio e quietude inquebráveis.
Uma alegria ininterrupta."
Mooji


Assista e aprenda. Recebi e trouxe para compartilhar com você!


23 de fev de 2010


A miséria humana está no desamor...

Clarice Lispector


"Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio e nesse silêncio profundo se esconde minha intensa vontade de gritar."


Borboletas


Como boa curiosa, fui buscar alguns entendimentos.
Se tudo tem um significado, qual é o da borboleta? por dedução, é fácil concluirmos estarem associadas à liberdade - voo - mas como todas as culturas desenvolvem suas raízes no saber de seu povo, se pesquisamos coisas simples, como significados, encontramos referências em todas as civilizações.
Alma ou Psyché é o mesmo que Borboleta no antigo grego. Ela simboliza a alma imortal ao nascer rompendo o casulo, representando assim com muita clareza, a auto-transformação. Se considerarmos a implícita simbologia, faz todo sentido, e as etapas de seu nascimento, fortemente associadas à liberdade, evidenciam a tendência que temos em nominar as coisas, criar significados como para concretizar o entendimento e conseqüente aprendizado.
Os egípcios acreditavam que quando deixava o corpo, a alma tinha o formato de uma borboleta.
Já os astecas viam na borboleta o sopro de vida que exalava da boca dos mortos, pois estava associada a uma divindade. Esse símbolo é metafórico, pois representa o renascimento - saída do túmulo (casulo) para outra vida. Este é também o entendimento dos orientais, que associam o ciclo vital - sair do mundo dos mortos para o dos vivos. Eles também defendem a idéia de que borboletas junto de flores prenunciam felicidade, e se estão aos pares, sinalizam casamentos felizes. Se forem coloridas e diurnas, o prognóstico é de acontecimentos alegres no futuro, contrariamente às mariposas, que anunciam a infelicidade. No Japão, as borboletas são espíritos viajantes, e se aparecem trazem a mensagem de um visitante chegando ou da morte de um parente.
As borboletas representam longa vida no Vietnã, mas esse fato também se explica pela pronúncia fonética muito semelhante das palavras "longevidade" e "borboleta."


"A felicidade é como a borboleta:
quando a perseguimos nos escapa;
quando desistimos de persegui-lá, pousa em nós."
Provérbio Chinês

Rubem Alves



"A alma é uma borboleta. Há um instante em que
uma voz nos diz que chegou o momento
de uma grande metamorfose ..."

O "X" da questão!


O "X" de uma grande questão, pode ser "apenas" curvar-se, humildemente. Não deve ser visto como sinônimo de quedar-se, e sim, de simples aceitação. Não se trata de cair na tentação, mas de enxergar a situação.
A gente confirma quando passa por intensas vivências aquilo que já sabia, ou percebe tomado pela mais pura intuição: se agarramos o "X" - oportunidade - que aparece, e nele vemos todo potencial realizador e dele tiramos a seiva que alimenta esse imenso querer, a vida ganha sentido novo.
Nesse caminho só cabe a ousadia que determina a nova escolha. Nesse lugar de decisão, acovardar-se, é muito semelhante à morrer...

A simplicidade do amor...


"...meu amor por ti" - há um universo inteiro contido nessa frase curtinha, mas extensa pelo seu "peso" de intenção. Ela "carrega" em si uma clara proposta, sonho de viver uma vida em comum, e um precioso tesouro: o do desejo. Desejo de ser feliz, de amar e ser amado. Desejo de partilhar, de receber e de dar. Desejo de construir. Desejo de mudar!
O amor tem todo esse poder, é combustível transformador, porque muda as coisas de lugar, acomodando as vidas daqueles que nele querem se apoiar.
Quando há um enorme querer contido em uma força de busca, não há caminho que não se mostre aberto e livre de toda sombra de idéias pré-concebidas ou resquícios anteriores que impeçam a caminhada.
O amor que sentimos por alguém - ou sentem por nós - sustenta as diferenças, diminui as dificuldades envolvidas e suprime as divergências, levando-os ao encontro de novas direções e boas soluções. Além disso tudo, o amor empresta encanto e paixão aos novos dias, e a vida se renova diante dos recentes significados, ganhando sentido perante os sonhos redesenhados.
E o que dizer então, da sensação que desperta essa afirmação, dentro de um sensibilizado coração??

22 de fev de 2010

Epitáfio



Música conhecida, mas seu significado "toca" a gente em momentos inesperados. A gente cantarola músicas, um pouco distraído, ato mecânico. Mas, quando prestamos atenção ao que é dito de forma melódica, muitas vezes somos tomados por emoções incontroláveis, que se mostram no corpo físico, depois que conversaram com nossa alma.
Epitáfio já cantei e chorei inúmeras vezes, tomada por forte emoção. Hoje a recebi e percebo que a ouço sem um sentimento de urgência pelo que não realizei. Vejo que, serena, entendo que posso realizar agora, diferente de um tempo em que não pude. Cada verso mostra o poder que temos dentro de nós...

Com o mesmo carinho que recebi, te convido para, juntos desfrutarmos de alguns valiosos ensinamentos. Vamos lá???


Cada um tem seu deserto a atravessar



Caminhando pelos blogs amigos, me deparei com esta maravilhosa reflexão, e a trouxe lá do Bliss1000 para difundir ainda mais esta visão acerca da solidão interna e do silêncio que precisamos fazer para ouvir-nos. Faz-se muita confusão sobre o estado meditativo, reflexivo, e o deprimido.
Encante-se você também:



Texto de Jean-Yves Leloup

Cada um tem seu deserto a atravessar

O que evoca para nós a palavra deserto?
Silêncio, imensidão, vento abrasador? Não apenas. Evoca também sede, miragens, escorpiões... e o encontro do mais simples de si mesmo no olhar assombrado e surpreso do homem ou da criança que brota não se sabe de onde – entre as dunas? Existem os desertos de pedras e de areias, o deserto do Hoggar, de Assekrem, de Ténéré e do Sinai e de outros lugares ainda... o deserto é sempre o alhures, o outro lugar, um alhures que nos conduz para o mais próximo de nós mesmos.
Existem os desertos na moda, onde a multidão se vai encontrar como um pode tagarela, em espaços escolhidos, onde nos serão poupadas as queimaduras do vento e as sedes radicais; deles se volta bronzeado como de uma temporada na praia, mas ainda por cima, com pretensões à “grande experiência”, que nos transformaria para sempre em “grandes nômades”.
... Existem, enfim, os desertos interiores. Temos que falar deles, saber reconhecer o que apresentam de doloroso e tórrido, mas tentando também descobrir, aí, a fonte escondida, o oásis, a presença inesperada que nos recebe, debaixo de uma palmeira sorridente, em redor de uma fogueira onde a dança dos “passantes” se junta à das estrelas.
Pois o deserto não constitui uma meta; é, antes, um lugar de passagem, uma travessia.
Cada um, então, tem a sua própria terra prometida, sua expectativa que deverá ser frustrada, sua esperança a esclarecer. Algumas pessoas vivem esta experiência do deserto no próprio corpo; quer isto se chame envelhecer, adoecer ou sofrer as conseqüências de um acidente. Esse deserto às vezes demora muito a ser atravessado.
Outras pessoas vivem o deserto no coração das suas relações, deserto do desejo ou do amor, das secas ou dos aborrecimentos que não aprendemos a compartilhar. Há também os desertos da inteligência, onde o mais sábio vai esbarrar no incompreensível e o mais consciente no impensável. Só conseguimos conhecer o mundo e as suas matérias, a nós mesmos e às nossas memórias quando atravessamos os desertos.
Temos, finalmente, o deserto da fé, o crepúsculo das idéias e dos ídolos, que havíamos transformado em deuses ou em um Deus, para dar segurança às nossas impotências e abafar as nossas mais vivas perguntas. Cada pessoa tem seu próprio deserto a atravessar.
E a cada vez será necessário desmascarar as miragens e também contemplar os milagres: o instante, a aliança, a douta ignorância e a fecunda vacuidade.

Editora Vozes

Visite minha amiga Tereza:

20 de fev de 2010

Colcha de Retalhos



Percebo a vida um pouco assim, feita de pequenos pedaços de cetim...

Poderia começar a escrever a partir de um poema, juntando idéias em estrofes. Juntarei pensamentos em pedaços que se encaixem, feito a arte de coser tiras coloridas. As estampas não combinam, mas se harmonizam entre si, ao final, já perceberam? O resultado parece ser fruto dos tecidos selecionados - analogamente às nossas escolhas?
Somos parte desse processo de ajuntamento, muitas vezes confundidos no entrelace dos recortes de nossas vidas - inseparáveis de nós. Vistos de fora, somos reconhecidos ao lado de algum evento antigo, tendo a face estampada, distraída ou disfarçada, mas não esquecida por quem sempre é lembrada.
Risos, sons, cheiros e cores alinhavam nossa história, povoada de rostos, bocas, toques, fatos com fotos comprovadas. O tempo não rouba a viveza das cores dessas densas e intensas combinações, nem dispõe em outros lugares os pequenos tesouros que não esmorecem dentro de nossos amplos corações.
Está bordada então a peça que cobre nossos dias, transformando as fartas partículas dos anos vividos neste agasalho da alma, nossa colcha dos retalhos cheios de símbolos e significados, materializados pela saudade desses pedacinhos de nós...


19 de fev de 2010

Filhos são como navios


Filhos são como navios

Ao olharmos um navio no porto, imaginamos que ele esteja em seu lugar mais seguro, protegido por uma forte âncora.
Mal sabemos que ali está em preparação, abastecimento e provisão para se lançar ao mar, ao destino para o qual foi criado, indo ao encontro das próprias aventuras e riscos.
Dependendo do que a força da natureza lhes reserva, poderá ter que desviar da rota, traçar outros caminhos ou procurar outros portos.
Certamente retornará fortalecido pelo aprendizado adquirido, mais enriquecido pelas diferentes culturas percorridas. E haverá muita gente no porto, feliz à sua espera.
Assim são os Filhos.
Estes têm nos pais o seu porto seguro até que se tornem independentes. Por mais segurança, sentimentos de preservação e de manutenção que possam sentir junto aos seus pais, eles nasceram para singrar os mares da vida, correr seus próprios riscos e viver suas próprias aventuras.
Certo que levarão consigo os exemplos dos pais, o que eles aprenderam e os conhecimentos da escola, mas a principal provisão, além das materiais, estará no interior de cada um: A capacidade de ser feliz.
Sabemos, no entanto, que não existe felicidade pronta, algo que se guarda num esconderijo para ser doada, transmitida a alguém.
O lugar mais seguro que o navio pode estar é o porto. Mas ele não foi feito para permanecer ali. Os pais também pensam que sejam o porto seguro dos filhos, mas não podem se esquecer do dever de prepará-los para navegar mar a dentro e encontrar o seu próprio lugar, onde se sintam seguros, certos de que deverão ser, em outro tempo, este porto para outros seres.
Ninguém pode traçar o destino dos filhos, mas deve estar consciente de que na bagagem devem levar valores herdados como: humildade, humanidade, honestidade, disciplina, gratidão e generosidade.
Filhos nascem dos pais, mas devem se tornar cidadãos do mundo. Os pais podem querer o sorriso dos filhos, mas não podem sorrir por eles. Podem desejar e contribuir para a felicidade dos filhos, mas não podem ser felizes por eles.
A felicidade consiste em ter um ideal a buscar e ter a certeza de estar dando passos firmes no caminho da busca. Os pais não devem seguir os passos dos filhos e nem devem estes descansar no que os pais conquistaram. Devem os filhos seguir de onde os pais chegaram, de seu porto, e, como os navios, partirem para as próprias conquistas e aventuras.
Mas, para isso, precisam ser preparados e amados, na certeza de que: "Quem ama educa"

“COMO É DIFÍCIL SOLTAR AS AMARRAS”

Autoria: Içami Tiba

O amor está sempre parindo a coragem...


A coragem para tomar decisões
está sempre apoiada no amor!
Denise

A vida nos cobra coragem em momentos difíceis, porque tudo o mais está em ressonância com afazeres e prazeres fáceis. É num momento de conflito ou de necessidade que "aperta" o coração da gente e vem a resposta que precisamos. É dele, o coração, que surge a solução, pois está nele, o amor, a nascente da coragem para escolher, para mudar, para aprender e crescer.
Tomar decisões é como respirar, fazemos as duas coisas sem perceber. Mas se pararmos para prestar atenção, veremos o fluxo de ar a oxigenar a vida com imensa clareza - assim como paramos para as grandes decisões, avaliando as possibilidades. Mas se mudamos o condutor das nossas vidas, teremos a direção indicada pelo único meio que não admite enganos: o amor.


"Eu Sou o ouvido, escutando os sinos da liberdade, que tenho agora."
Saint Germain


Aprendendo a conviver com quem se ama


A proposta de trazer em capítulos (abaixo ordenados) o livro "Aprendendo a conviver com quem se ama" é um exercício particular que pode contribuir com quem quiser partilhar. O que for posto, será sempre seguindo o que o autor pensa, conjugando citações no texto, sem inferências. Como tudo é subjetivo, minha leitura também não fica isenta de minha percepção, porém, a idéia não é discutir com o autor, talvez no final do exercício sim, abra uma crônica para colocar-me pessoalmente, falar do que ficou da leitura.

Para compreender Walsch, penso que devo sugerir que se dissolvam conceitos anteriores sobre relacionamentos, entrando nus na leitura, abertos ao que iremos encontrar de novo, para permitir que alguma diferença se instale dentro dos nossos paradigmas enraizados. Não há outra forma de quebrar a rigidez da visão de mundo que construímos.

Boa viagem!

Aprendendo a conviver com quem se ama (1)



Capítulo I

Relacionamentos

Walsch usa a si e sua experiência para falar das coisas.
Nesta abordagem, ele comenta que sempre buscou compreender como os relacionamentos funcionam e qual sua finalidade em sua vida. Até tempos mais recentes, não tinha essa compreensão. Pensa que não estava preparado para conhecer-se melhor, admitir certos fatos e mudar padrões.

Seus relacionamentos, em geral, começavam pelas razões erradas - os nossos também - e os conservava enquanto obtinha o que queria deles, interrompendo-os quando não conseguia mais ganhar na negociação. Sim, era o que pareciam, negociatas que traziam vantagens para ambos, até que uma das partes deixasse de dar sua contribuição. Porém, como não tinha essa consciência, esforçava-se para ter melhor desempenho no relacionamento seguinte, engatado rapidamente ao fracasso anterior.

Nas novas experiências ia moldando-se para agradar, encolhendo-se dentro de si próprio, recusando sua identidade, a autenticidade que precisa da sua transparência para construir nossas relações. Walsch conta sobre como sentia um desejo profundo de fazer o que fosse necessário para manter na sala de sua vida a pessoa amada. Dançou conforme a música da época (de acordo com quem estava em relação), deu em troca, barganhou, negociou. Foi ficando "cada vez mais enredado nesse tipo de conchavo, como se fosse uma interminável troca de mercadorias", e talvez pela insatisfação de não conseguir realizar-se nas suas relações, se perguntava "que aspecto do meu eu seria tão atraente, tão irresistível, tão magnético, que, independentemente de qualquer outro fator, faria os outros permanecerem na sala?" porque não entendia o que não funcionava. Foi então que em sua conversa com Deus (escreveu a trilogia "Conversando com Deus) ficou visível o que vinha fazendo.

Em primeiro lugar, iniciava relacionamentos pelas razões erradas. Os mantinha pelo que podia tirar deles, sempre muito disposto a negociar, vendo seus relacionamentos quase como transações comerciais. A mudança aconteceu quando percebeu que podia investir neles, ser autêntico, nunca negando seu eu - ainda que não fosse suficientemente atraente e as pessoas fossem embora, porque sempre vêm para nossas salas da vida quem nos considerará atraentes sendo o que somos.

"Entendi também - conta Walsch - que o relacionamento é a experiência mais importante que podemos criar para nós mesmos, e que na ausência do relacionamento, não somos nada." Essa sua afirmação fundamenta-se na percepção de que "na ausência de qualquer outra coisa, nada posso experimentar a meu respeito. Quer dizer, eu sou o que sou, mas não posso saber que sou. Não posso experimentar que sou, a não ser em relação a alguma outra coisa. [...] Começo a conceber a mim mesmo com base em quem está ao meu redor e nas coisas que estão ao meu redor. Por isso, o relacionamento com outras pessoas, lugares e coisas não é somente importante, é vital. Na ausência dessa relação, simplesmente não sabemos quem somos. [..] É a partir do relacionamento que eu me conheço e também me defino." Isso equivale dizer que definimos quem eu somos no relacionamento com as outras pessoas, circunstanciais e lugar.

Uma questão importante trazida por Walsch pode não agradar muita gente, mas ele diz: "Só posso ver em mim o que estou disposto a ver em vocês. E o que deixo de ver em vocês jamais encontrarei em mim mesmo, porque não sei que existe." Como é fundamental sabermos quem somos, precisamos nos relacionar, ter amigos, família, amores, ambiente onde estaremos em relação direta com todos e tudo que nos cerca. "Todos nós temos um relacionamento com as circunstâncias e os fatos de nossa vida. É graças a esse relacionamento que experimentamos, anunciamos e declaramos, expressamos, realizamos e nos tornamos quem realmente somos. Quando entendemos o lugar sagrado que o relacionamento ocupa na experiência de todos nós, passamos a saber realmente que a experiência do relacionamento é sagrada - não apenas em pensamento, em palavras, mas de fato. Quando entendemos isso, os fatos que desenvolvemos nos relacionamentos começam a mudar drasticamente."

O segredo está em entender a nossa função primordial no relacionamento: "olhar cada pessoa em profundidade, vendo nela o melhor que ela pode vir a ser, e ajudá-la a transformar essa visão em realidade", se ela desejar, naturalmente. Isso significa que os parceiros não deveriam tirar um do outro o que precisam para si, e sim dar um ao outro o que precisam individualmente para crescer e tornar-se o que pode ser, plenamente. Isso só é possível se permitirmos que as pessoas sejam o que são, expressem e experimentem quem realmente são.

Walsch sinaliza que a questão principal é entender qual o objetivo dos relacionamentos, e o que podemos fazer para tornar possível no outro, qual potencial seu que podemos ajudar a desenvolver, o que podemos criar, motivar, estimular, dar-lhes brilho (como nos carros) para que realizem o máximo de seu potencial. Note-se que ele fala de uma realização que o outro fará pelas mãos de nossa colaboração na relação com o outro, e não que está em nossas mãos o desenvolvimento dessas potencialidades.

Tudo o que ele expõe nesse capítulo, visa fazer-nos compreender que esse é o meio de atingirmos a auto-realização, que muitos pensam ser possível conseguir mantendo-se sentadas, em silêncio, sozinhas ou em companhia de velas ou música, emitindo sons que ajudem na meditação. "Não quero que imaginem que estou desvalorizando essa experiência nem dizendo que é errada. Pelo contrário, quanto mais tempo passarem envolvidas nisso, melhor. Mas se acharem que essa é a única maneira de se auto-realizar, não terão entendido a grande sabedoria: estamos aqui um para o outro. Estamos aqui para nos relacionarmos."

Quando chegar a compreensão de que não devemos tirar nada de ninguém, e sim darmos tudo que somos sem necessitarmos de troca, e quanto mais nos aproximarmos desse ideal, mais felizes seremos em nossos relacionamentos - doando-nos de maneira mais completa, vivenciando um amor que não conhece condições. Um dia desses seremos capazes de sermos verdadeiros sem precisar achar que há algo errado com o outro ou transformá-lo em vilão para justificar-nos. "Simplesmente porque constataremos que somos diferentes e que aquilo que é uma necessidade absoluta para o outro não me faz feliz. [...] Quando chegarmos a esse lugar, poderemos então criar o relacionamento amoroso e duradouro que desejamos ter na vida, porque esses relacionamentos também não dependem de qualquer condição nem têm limites."

Aprendendo a conviver com quem se ama (2)

Capítulo 2

A essência do amor

Nos melhores relacionamentos não há limites nem condicionalidade, pois são baseados no amor, por isso, livres. "A liberdade é a essência de quem somos. A liberdade é a essência do amor [...] Quando amamos, nunca procuramos limitar ou restringir de qualquer modo aquele que amamos. O amor diz: O que eu desejo para você é o que você deseja para si mesmo. O amor diz: 'Escolho para você o que você escolhe para você'. Quando digo: 'Escolho para você o que eu escolho para você', não estou amando você. Estou me amando através de você, porque estou tendo o que quero, em vez de ver você tendo o que quer."
Walsch lembra que tudo que procuramos é alguém que nos permita ter o que queremos da vida, uma vez que desde a infância tudo parece conspirar para impedir os desejos; primeiro são nossos pais, seguidos dos professores, a dizerem não, enchendo nossa pequena vida de restrições. Depois, a cultura suprime a sexualidade na adolescência, e as proibições seguem conosco nos primeiros anos da vida adulta, e pela vida afora reprimimos os desejos.
Os relacionamentos construídos em torno de uma genuína expressão de amor, compreendem conceder, não proibir ou barganhar. "O amor jamais diz não."
O autor afirma que só é possível crescermos se nos tornarmos cada vez mais aquilo que somos, por isso a escolha de escolher o que o outro escolheu para si é um duplo desafio, porque aceitar e respeitar o outro na sua integridade, envolve poder manter as próprias escolhas.
O problema, diz ele, é que "a maior parte das pessoas se comporta como sonâmbulos durante toda a vida", e quando o aprendizado chega, não o vê, perdendo parte importante para o crescimento pessoal.

Aprendendo a conviver com quem se ama (3)


Capítulo 3

Casamento


"O casamento, do modo como vem sendo estabelecido atualmente, como uma instituição, não tem validade, se considerarmos aquilo que os seres humanos desejam mais profundamente."
Essa premissa resulta de outra, que Walsch apresenta para "justificar" a afirmativa: "nós anunciamos e declaramos que escolhemos para nós mesmos é que o casamento seja a mais alta expressão da maior experiência de amor de que os seres humanos são capazes. [...] Em seguida, construímos uma instituição matrimonial e uma experiência matrimonial que produz exatamente o oposto disso: o casamento, na maioria dos casos, tornou-se a forma mais baixa de amor de que os humanos são capazes. um amor que possui, em vez de soltar. Um amor que ,limita, em vez de expandir. um amor que domina, em vez de libertar. Um amor que torna tudo ao seu redor menor, em vez de expandir."
Walsch fala da experiência criada dentro de um invólucro, uma casca que funciona como embalagem que contém - e deve manter - o casamento como foi concebido, "mas as pessoas e os aconteci,mentos se movem. Mudam. A vida é uma evolução. E, assim, o casamento, como o construímos, funciona contra o próprio processo da vida, porque, da forma como muitas sociedades, religiões e tradições familiares o conceberam, proporciona pouco espaço para se respirar, se expandir, para crescer."
Neale pondera que este tipo de casamento mais parece uma miniprisão, um arranjo contratual que "limita as pessoas e sufoca o espírito." E essa é a ironia do casamento - diz ele - dizemos sim e a partir desse momento não podemos fazer o que gostaríamos de fazer. A percepção desse fato chega após alguns poucos anos de casados, gerando crises pela redução - e não pela ampliação - da experiência de si mesmos no mundo. Naturalmente que não se pode afirmar que seja assim para todos, mas assim parece ser para um grande número de casamentos, a maioria deles. E "não tanto pelo fato das pessoas tenham se cansado uma das outras, mas por terem se cansado das restrições e das limitações que o casamento parece ter imposto a elas. O coração humano sabe quando lhe pedem para ser menos."
E o amor, por ter a ver com liberdade e ser a experiência mais autentica no âmbito humano, não combina com nenhuma estrutura artificial, dificultando a permanência das pessoas no amor. "O que temos de fazer então é reconstruir o casamento, de uma forma que proclame: "Eu não limito você. Não coloco condições para que seja bom permanecermos juntos. Não desejo de forma alguma impedir ou diminuir sua auto-expressão. Na realidade, o objetivo desse casamento, dessa nova forma de casamento, é abastecer e contribuir para a sua experiência - a experiência de quem você realmente é e de quem você escolheu ser."
Esse novo casamento diz ainda: "Eu reconheço que você mudará. Suas idéias mudarão, seus gostos mudarão, seus desejos mudarão. É melhor que todo o entendimento a seu próprio respeito mude, porque, se não mudar, você terá se tornado uma pessoa muito estática e rígida, e nada me desagradaria mais do que isso. Reconheço então que o processo de evolução provocará mudança sem você." Se assim fosse, não só seriam possíveis as mudanças, como as estimulariam.
Walsch aborda a questão da mudança que ocorreu com o s jovens nas décadas de 60, 70, quando começaram a praticar o que se chama viver junto, prática que está sendo seguida na atualidade por pessoas mais velhas, como alternativa talvez de viver livremente o amor. No entanto, Walsch ressalta que não está argumentando contra o casamento como instituição, mas sim está falando sobre aquilo em que é transformada instituição do casamento na maioria dos casos. Muitos deles foram construídos com tanto amor, que fogem dessa regra, ou pelo menos contam com a consciência dos parceiros de que desejam escapar desse movimento, tentando viver autenticamente a sua verdade, cada um com seus aspectos positivos e negativos dentro dessa relação, seus defeitos. E sobre a questão defeitos, ele lembra do que ouviu de uma professora sobre os seus, que acreditava, eram muitos. Ela o fez pensar que os ditos defeitos, dependendo de seu "grau" podem se tornar aliados, qualidades indispensáveis. "Neale, é apena suma questão de o volume estar um pouco acima do que devia [...] mas não tente mudar os seus aspectos, não tente eliminá-los de seu comportamento. Não os renegue. Abaixe um pouco o volume, só um pouquinho, e perceba que há um volume adequado desses aspectos de quem você é que os torna aceitáveis em todos os momentos."
Esta foi uma boa maneira de pensar no assunto, e serviu para ele como conscientização para controlar o volume dessas qualidades quando estavam exageradas. O verdadeiro relacionamento sabe disso tudo, e se fundamenta e se constrói sobre um paradigma novo, que usa três palavras mágicas: Como você quiser, e desta forma, "devolvendo as pessoas a si mesmas", mostramos estar preparados para viver o desafio de procurarmos "usar nosso relacionamento com o outro para conseguir aquilo que imaginamos necessitar a fim de sermos felizes."